Boa a homenagem a Al Berto no Festival Silêncio, com David Santos, JP Simões, João Peste, Rui Reininho e Sérgio Godinho acompanhados pela banda com os músicos Flak, Filipe Valentim, Rui Alves e Alex Cortez. Fantásticas leituras de Miguel Borges de textos seleccionados por Nuno Júdice. Vídeo interessante de João Pedro Gomes sobre imagens e fotografias do poeta, manipuladas por Tó Trips (Mackintóxico).
"Temas inspirados na obra do poeta ou relacionados com o imaginário da sua escrita." Uns mais inspirados. Bom espectáculo. Possibilidade de ver alguns músicos que marcaram e marcam a música portuguesa. David Santos uma descoberta. JP Simões a bossa habitual. João Peste instável. Sérgio Godinho o grande artista.
Este ano, o festival apresentou projectos muito interessantes. http://www.festivalsilencio.com/
"Dans Dans should have been Eric De Volder's first dance performance. Following his unexpected demise, the future dance dancers came together to see how they should go on. Now, TG Ceremonia and les ballets C de la B have joined forces. The artististic idea came from Hendrik Van Doorn, the enthusiasm from Lisi Estaras, Nicolas Vladyslav and Lara Barsacq soon followed. In search of authenticity, the dancers rethink the smallest gesture, the simplest movement. This costs a lot of sweat. And tears. Of laughter and of grief. Dans Dans is a planet..."
"dancem, dancem, senão estamos perdidos" emocionante... obrigatório... filme excelente de Wim Wenders que captura muita da beleza e da utopia em Pina Bausch e seus bailarinos... vislumbre da linguagem e da ontologia de Pina, nunca explicada... 3D com uma aplicação extraordinária... em exibição.
André Cardinal Destouches (1672-1749)
Centro Cultural de Belém, 13 a 15 de Maio de 2011
Direção Musical Marcos Magalhães Encenação Luca Aprea Concepção cénica Luca Aprea | Stefano Riva Iluminação Daniel Worm d'Assumpção Realização cenográfica Carlos Moral Reis Maquilhagem e adaptação dos figurinos Fátima Sousa Adaptação do libretto Marcos Magalhães | Luca Aprea Direcção do coro Sérgio Fontão
La Folie Ana Quintans Le Carnaval João Fernandes Momus Hugo Oliveira Plutus/Mercure Fernando Guimarães La Jeunesse Carla Caramujo Jupiter Luís Miguel Cintra Venus Jennifer Smith
Bailarinos Catarina Câmara Pedro Ramos
Coro Voces Caelestes Orquestra Os Músicos do Tejo Concertino Florian Deuter __________________
Nas palavras de Marcos Magalhães, “o desejo é trazer o prazer da dança e do movimento, e assim tentar enriquecer a nossa linguagem musical e cénica”. Com uma estreita ligação à dança, que caracteriza as óperas francesas da época de Luís XIV, esta obra é uma comédie-ballet onde os momentos dançantes acentuam o caráter divertido e até bizarro da história de amor entre duas personagens surpreendentes: o Carnaval e a Loucura.
"O libreto centra a sua intriga na turbulenta paixão entre O Carnaval e A Loucura e é um verdadeiro canto à inevitabilidade da dor no amor. Porém (se calhar pelos tempos em que vivemos), para além da sua intriga imediata, a obra revela aos nossos olhos o tom amargo de uma apologia da eterna juventude povoada por personagens sem idade. Um lugar sem tempo, não tanto o de uma imaturidade eterna, “poética”, mas da ilusão dum destino imóvel, suspenso e sem consequências." Luca Aprea
A dança na ópera O encenador Luca Aprea afirma que, desde o início do projeto, houve o desejo de dar à dança um papel diferente daquele que, historicamente, ela ocupa nas óperas setecentistas: “Não queríamos recorrer ao código das danças barrocas, nem pretendíamos que o ballet fosse apenas um momento de pausa ou de entretenimento. Nesta produção, a dança vai contaminar as várias partes da ópera: coro, drama e os próprios momentos de dança.” O denominado ballet d’action vai ser protagonizado pelo coro que, num registo próximo da pantomima, se inspira no ambiente das várias músicas de dança para “comentar” ou “antecipar” momentos da ação. Por sua vez, os bailarinos vão funcionar como duplos do Carnaval e da Loucura, exprimindo com a dança a relação entre estas duas personagens.
O desafio da comédie-ballet O compositor André Cardinal Destouches, mosqueteiro da corte de Luís XIV e seguidor de Lully, criou aquela que viria a ser considerada a primeira comédie-ballet, inspirada na obra de Erasmo de Roterdão, O elogio da loucura. Para Marcos Magalhães, a escolha desta peça baseou-se fundamentalmente na sua forte ligação com a dança, que influencia também a comicidade do enredo. “É um desafio tocar música para dança, a interpretação tem de estar perfeitamente articulada com os ritmos das várias danças, e sempre atenta às pequenas subtilezas características da música francesa.”
Inspirado na música tradicional portuguesa, este bailado tem por base a diversidade da cultura nacional. Sobre a criação diz o coreógrafo "... precisava dançar também as minhas raízes lusas. E aqui nasce «Casa do Rio»... do desejo de estilizar as danças tradicionais portuguesas. Há influências dos pauliteiros, da chula, do corridinho do Algarve, do fandango, das danças do Minho."
Benvindo Fonseca, um dos bailarinos emblemáticos do extinto Ballet Gulbenkian, que desde há muito se tem igualmente dedicado à coreografia, estreia uma nova criação no TMA, através da qual explora as suas raízes portuguesas, depois de ter já abordado as suas raízes africanas. E escreve o coreógrafo: «a música inspiradora dos Danças Ocultas transporta-me para um universo puro, simples, diverso, plural e honesto, vindo do pulsar dos acordeões. Sempre a mãe terra, a partida constante e o querer chegar a casa. Casa esta que se encontra dentro de cada um, mas sentimento reforçado sempre que vislumbramos o conhecido». Concluindo que, em Casa do rio, se manifesta «o lado sensorial da dança, onde referências várias se exprimem por sentimentos, alguns avulsos, outros de amor e desamor, tão característicos nesta nossa grande raça humana».
Música Francisco RIBEIRO, Danças OCULTAS, Galandum GALUNDAINA, Teresa SALGUEIRO, Arvo PART
Cenário “Vox POPULI”, Paula ROUSSEAU
Execução de cenário Camilo António BRAZONA, Diodata SAIÃO
Desenho de Luz Paulo GRAÇA
Figurinos Hobbes GÓBIRAS
Sonoplastia José PACHECO
Interpretação Beatriz ROUSSEAU, Carla JORDÃO, Débora QUEIROZ, Daniela FERREIRA, Luciano FIALHO, Lucinda SARAGGA, Luís MALAQUIAS, Nuno GOMES, Sofia SILVA
« Traverser les ruines de l’usine, se souvenir des gestes répétés. Entendre les voix des ouvriers rassemblés dans la cour et le silence des machines arrêtées. Parcourir la ville dans la boue des chantiers, partir à la recherche d’un travail. Frapper la pierre et la brique, regarder les choses lentement s’effondrer. Repérer les lieux, s’y introduire, changer les serrures et raccorder l’électricité. Se rassembler dans la nuit, allumer un feu, construire de nouveaux abris. Raconter toujours la même histoire : celle qui fait tenir les hommes debout. » Histoires fragmentaires, réelles ou imaginées, de trois personnages ayant vécu et travaillé dans un ancien quartier populaire et industriel de Lyon.
Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas 12 de Maio a 6 de Junho de 2011
O Grande Palco das Marionetas regressa…
mais rebelde do que nunca!
A marioneta sempre me interessou no sentido que me parece ser uma forma de arte que está no cruzamento das artes plásticas e das artes cénicas…
Foi a paixão por marionetas, máscaras e outros objectos antropomórficos que me conduziu da filosofia e das artes plásticas para as artes da marioneta. Eu queria investigar os significados que podem ter os corpos artificiais em cena…
Gisèle Vienne
(...)
Durante vinte seis dias o grande palco das marionetas e das formas animadas regressa a Lisboa, que se transforma no centro desta expressão artística. Desenhado numa perspectiva de transversalidade artística, o FIMFA desenvolve uma programação que integra uma enorme diversidade de técnicas e propostas estéticas, estabelecendo ligações entre a marioneta, dança, vídeo, circo, teatro, instalações plásticas...
Este ano, para além da presença de criadores de reconhecido mérito internacional, resolvemos apostar em jovens companhias e valores mundiais que se apropriam desta linguagem e a renovam, na pesquisa, transformação e reutilização de objectos, materiais… como através da imagem e do som se podem criar verdadeiras obras de arte, temas e espectáculos controversos que falam do Homem actual e dos problemas que afectam a humanidade.
(...)
São nossos convidados cerca de vinte e três companhias e criadores, provenientes de diversos países, como a Alemanha, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Reino Unido e Portugal. Estão previstas mais de cem representações que envolvem espectáculos de sala, de pequenas formas e de rua. É ainda desenvolvida uma componente laboratorial e experimental, que permite a aproximação e troca de experiências entre criadores, bem com um conjunto de actividades complementares. Os espaços de apresentação são o Museu da Marioneta, o Teatro Maria Matos, o Teatro Nacional D. Maria II, o Centro Cultural de Belém, o Cinema S. Jorge, o CAMa - Centro de Artes da Marioneta e, é claro, as ruas de Lisboa.
Pierre Hantaï (cravo)
Bach: O Cravo Bem Temperado (Livro II)
Gulbenkian, 7 de Maio de 2011
O Cravo Bem Temperado de J. S. Bach elevou a um horizonte nunca antes imaginado as possibilidades da arte contrapontística, sendo um guia fundamental da arte musical barroca. «É uma obra que nos acompanha sempre quando tocamos um instrumento de tecla». (Pierre Hantaï)
Portugal, fic., 2011, 74’
8 DOMINGO, 21H45, CINEMA SÃO JORGE 1
11 QUARTA-FEIRA, 21H30, CINEMA SÃO JORGE 3
Uma médica ucraniana chega ao aeroporto de Faro como turista. De todos os passageiros do avião, é a única detida e interrogada pela polícia de imigração. “Em Portugal as instâncias de poder (governamentais, judiciais, policiais) têm pânico de ser expostas. Apesar de possuírem poucos recursos, gerem cuidadosamente a sua imagem. Aquilo que mais temem ver revelado não são os seus abusos de poder, mas a sua (muitas vezes) grave incompetência. Este é o fio que sustenta esta VIAGEM A PORTUGAL, ficção livremente adaptada de uma história real. No país dos brandos costumes, a violência é perpetuada através do triunfo da ignorância e graças ao poder do silêncio. De forma sistemática e com as melhores intenções.” (Sérgio Tréfaut)
Um estudioso enigmático embarca numa viagem pelo Sul de Inglaterra, percorrendo paisagens urbanas e pitorescas. Convencido de que é capaz de comunicar com uma rede de inteligência não-humana, questiona-se sobre a sobrevivência da vida no planeta. Nas suas visitas a lugares de interesse histórico e científico, medita sobre o nascimento do capitalismo e sobre os movimentos de resistência. ROBINSON IN RUINS combina imagens estáticas, de uma beleza cativante, com a narração erudita, habitual nos filmes de Patrick Keiller, da actriz Vanessa Redgrave. A arte, a filosofia, a economia e o desenvolvimento sustentável são alguns dos temas do solilóquio, dados com um certo optimismo em relação ao futuro. Tal como Robinson, que funciona como alter-ego do realizador desde London e Robinson in Space, Keiller tem sido um axioma do cinema britânico desde os anos 80, especialmente nas vertentes avant-garde e documental, mas permaneceu sempre praticamente invisível. Se há uma coisa que podemos dizer a respeito dos seus filmes, é que existem no espaço, de acordo com uma herança ideológica que o define como recipiente vazio dentro do qual se desenrolam as peripécias históricas da humanidade.
Omar é realizador e prepara-se para uma viagem de negócios que o vai levar até Nova Iorque. Emmanuel, interpretado pela estrela pornográfica François Sagat, fica ressentido com a despedida, mas os dois estão decididos a provar um ao outro que já não estão apaixonados. A tensão no ar instala-se desde o primeiro momento e é uma constante no filme, que se divide entre os encontros sexuais de Emmanuel nos subúrbios de Paris e os de Omar na cidade que nunca dorme, registados pela sua câmara de filmar. Não há momentos de pausa para monólogos onde se possa ler os pensamentos e emoções das personagens. Elas exprimem-se melhor sexualmente do que através de diálogo e o restante fica aberto à interpretação. A nossa perspectiva dos acontecimentos é, ainda assim, privilegiada: temos acesso directo ao ponto de vista de cada um deles, literalmente, no caso de Omar, que nunca larga a câmara. O lirismo de Honoré, cujo filme La belle personne esteve na 6ª edição do IndieLisboa, persegue, aqui, a desconstrução da ideia de masculino através de uma imagem viril, que Sagat incorpora qual estátua grega, protó tipo da essência do que um homem deve ser, de acordo com parâmetros que são cada vez mais postos em causa.
28 de Abril a 8 de Maio, Teatro Camões A CNB estreia uma obra co-criada por 9 coreógrafos portugueses: Clara Andermatt, Francisco Camacho, Benvindo Fonseca, Rui Lopes Graça, Rui Horta, Paulo Ribeiro, Olga Roriz, Madalena Victorino e Vasco Wellenkamp. Bernardo Sassetti assina a composição e a interpretação musical.