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domingo, 9 de dezembro de 2007

Rigoletto, Giuseppe Verdi

São Carlos, 10 a 21 de Dezembro de 2007

Direcção musical Alexander Polianitchko
Encenação Emilio Sagi
Coreografia Nuria Castejón
Cenografia Ricardo Sánchez Cuerda
Figurinos Miguel Crespi
Desenho de luz Eduardo Bravo

Orquestra Sinfónica Portuguesa

Coro do Teatro Nacional de São Carlos
maestro titular Giovanni Andreoli

Co-produção
Teatro Nacional de São Carlos / ABAO, Bilbau

Intérpretes

Rigoletto
Alexandru Agache / Leo An

Duque de Mântua
Saimir Pirgu / Richard Bauer

Gilda
Chelsey Schill / Carla Caramujo

Sparafucile
Vadim Lynkovskiy

Maddalena
Malgorzata Walewska

Borsa
Mário João Alves

Marullo
Michael Vier

Giovanna
Susana Teixeira

Monterone
Luís Rodrigues

Ceprano
Diogo Oliveira

Condessa de Ceprano
Isabel Biu

Pajem
Madalena Boléo

Oficial da Corte
Frederico Santiago

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Ópera em três actos e quatro quadros
Libreto: Francesco Maria Piave segundo Le roi s'amuse de Victor Hugo
Estreia absoluta: Veneza, Teatro La Fenice, 11 de Março de 1851

Quando a censura interdita o libreto que Francesco Maria Piave baseara em Le Roi s'amuse de Victor Hugo, considerando-o imoral, de uma 'trivialidade obscena', e lamentando 'que o poeta Piave e o célebre maestro Verdi não tenham encontrado nada melhor para expressar o seu talento', o compositor sente-se enraivecido e consternado. O libretista dedica-se rapidamente à revisão do texto - mas a nova versão não agrada a Verdi, que a considera distanciada de toda a lógica e fulgor originais. É necessário estabelecer-se um compromisso: alteram-se o local, os nomes das personagens, suprimem-se algumas cenas, mantendo-se todos os eixos dramáticos que Verdi considerava essenciais. O libreto será finalmente aceite e a obra concluída sob o nome do seu protagonista buffo, o corcunda Rigoletto.

Na estreia, a 11 de Março de 1851, enquanto o público rejubila, a crítica sente-se dividida perante uma obra de tal intensidade dramática. Como se poderia, enfim, reagir, a uma proposta que indiciava uma tão intensa ruptura com a estética rossiniana conferindo, nomeadamente, tão escassos momentos solísticos às suas personagens principais? A densidade teatral, o recorte emocional das personagens e das suas sinergias, a escrita orquestral, tudo concorre para uma circunstância inovadora, uma nova fase na carreira de Verdi e na ópera oitocentista.

Durante uma festa no palácio ducal de Mântua, os comentários sarcásticos de Rigoletto, em relação a um dos convidados, o conde de Monterone, fazem com que este amaldiçoe o pobre corcunda. É sob esta tensão que toda a acção se desenrola: a bela filha de Rigoletto, Gilda, virtuosa e heróica, será seduzida e posteriormente raptada pelo Duque, sem que este abdique de perseverar nas suas conquistas amorosas. Rigoletto, ansiando por vingança, contrata um assassino para matar o fidalgo - porém... no meio de várias peripécias, é Gilda que acaba por ser morta, concretizando-se a conjecturada maldição.

PGR / TNSC

sinopse
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Razoável/bom, como São Carlos é, há muito tempo, ao contrário do que se diz por aí.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Academia Scholl: Handel

Accademia Bizantina
Ottavio Dantone (direcção)
Andreas Scholl (contratenor)

Gulbenkian, 8 de Dezembro de 2007


«Andreas Scholl and Friends»

Georg Friedrich Händel
Vedendo Amor, Cantata para Contralto e baixo contínuo, HWV 175
Sonata em Trio, em Si menor, op.2 nº 1
Nel doce tempo, Cantata para Contralto e baixo contínuo, HWV 135b
Dolce pur d’amor l’affanno, Cantata para Contralto e baixo contínuo, HWV 109
Sonata em Trio, em Fá Maior, op.2 nº 5
Mi palpita il cor, Cantata para Contralto, flauta e baixo contínuo, HWV 132c

A apresentação no Grande Auditório Gulbenkian do contratenor Andreas Scholl, estrela máxima no panorama canoro internacional dos nossos dias, é certamente um dos momentos mais esperados da Temporada. E apesar de já ter pisado este palco várias vezes, Scholl nunca aqui interpretou o repertório que agora nos propõe. A sua intervenção centra-se na produção vocal handeliana escrita entre 1706 e 1710 em Itália.

Na sua juventude, o compositor deteve-se neste país, percorrendo alguns dos seus mais importantes centros musicais (Roma, Florença, Nápoles) ao serviço de poderosos e mecenáticos nobres. Durante esta permanência, Händel pôde não só conhecer as obras dos mais importantes compositores italianos do seu tempo (chegou a relacionar-se com alguns deles), como também assistir aos prodígios técnicos dos mais afamados intérpretes vocais e instrumentais do país. Só depois desta permanência em Itália é que Händel partiria para Inglaterra seguindo o seu patrono, o Duque de Hannover, quando este se tornou rei de Inglaterra, como Jorge I.

Durante o período italiano, Händel escreveu uma série de cantatas, que reflectem todo esse brilhante panorama musical italiano dos inícios do século XVIII - no concerto de dia 8, poderão ouvir-se algumas delas. Para se apreender com toda a justiça a maravilhosa exuberância destas obras é necessário um intérprete vocalmente incandescente, como o é Andreas Scholl.

O cantor vem acompanhado dos seus «companheiros» musicais, os elementos da Accademia Bizantina, que aqui se apresentam sob a direcção de Ottavio Dantone. Apesar de Scholl ter gravado regularmente com alguns dos mais importantes conjuntos instrumentais do mundo, tem mantido com a Accademia Bizantina uma relação artística muito fértil, que se tem traduzido em várias gravações e apresentações. Os trabalhos Arcadia (com obras de Gasparini, Marcello, Pasquini, Corelli) e Arias for Senesino (com obras de Händel, Lotti, Albinoni, Scarlatti e Porpora), obtiveram o maior êxito junto do público e da crítica. O mesmo está a acontecer com o novo trabalho Il duello Amoroso, em que, para além da Accademia Bizantina, também há a referir a colaboração do soprano Hélène Guilmette.

O concerto do Grande Auditório é baseado na recolha efectuada para este último trabalho discográfico, realizado em 2007, propondo-nos, para além das cantatas, a audição de duas Sonatas em Trio, também de Händel, obras que patenteiam o cultivo das formas instrumentais italianas por parte do compositor.

FCG



Tudo muito bom: Andreas, Ottavio, Accademia, e também Handel.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Strauss feminino: Der Rosenkavalier

Orquestra Gulbenkian
Bertrand de Billy (maestro)
sopranos:

Heidi Brunner
(Oktavian)


Regina Schorg
(Marechala)


Birgid Steinberger
(Sophie)

Richard Strauss
Der Rosenkavalier (O Cavaleiro da Rosa), op.59
excertos instrumentais e vocais

Gulbenkian, 7 e 9 de Dezembro de 2007

A riqueza musical de Der Rosenkavalier de Richard Strauss transbordou a sua natureza teatral – a partir do material desta ópera, de facto, o próprio compositor deixou-nos duas conhecidas suites instrumentais. Nos próximos dias 7 e 9 de Dezembro, propõe-se uma selecção de alguns dos mais inebriantes excertos instrumentais desta obra (recordemos que esta ópera é uma suprema e anacrónica homenagem à valsa vienense) com as principais intervenções femininas da mesma. Isto quer dizer que ouviremos os momentos fulcrais desta ópera escrita para vozes femininas: o Monólogo da Marechala, a «Apresentação da rosa» e o Terceto final, entre outros excertos. Richard Strauss, como se sabe, era um apaixonado pela voz feminina – nos finais do século XIX e nos inícios do XX só mesmo Puccini escreveu com tal veemência para a voz de soprano.

Como timoneiro desta aventura musical estará o maestro francês Bertrand de Billy, imerso desde há muito no terreno lírico. Foi em Paris que ele estudou direcção de orquestra, tendo obtido nesta cidade os primeiros postos importantes. Em 1993, começou a trabalhar na Alemanha e a consagrar-se como maestro do grande repertório lírico. A partir de 1995, era já regularmente convidado pelos mais importantes teatros do mundo, tais como Covent Garden, Bastille, La Monnaie, Genebra e Met de Nova-Iorque, entre outros. Bertrand de Billy foi durante alguns anos director musical do Liceo de Barcelona, cargo que exerceu em simultâneo com Director Musical da Orquestra Sinfónica da Rádio Austríaca. A sua carreira tem-lhe permitido colaborar regularmente com alguns dos maiores nomes do canto lírico mundial. Tem várias óperas editadas em DVD, entre as quais uma versão completa da Tetralogia wagneriana.

Neste concerto poderemos ouvir três cantoras que têm regularmente colaborado com Bertrand de Billy: Heidi Brunner (Oktavian), de naturalidade suíça, foi durante alguns anos membro da Volksoper de Viena e é uma intérprete habitual do repertório de meio-soprano nos principais palcos do mundo. Gravou com Bertrand de Billy as três óperas de Mozart com libreto de Da Ponte (Così fan tutte, Le nozze di Fígaro, Don Giovanni). Com o mesmo maestro lançou ainda um CD com obras de Mozart, Wagner, Haydn e Respighi.

Tal como Brunner, Birgid Steinberger (Sophie) é membro da Volksoper de Viena, pertencendo igualmente à Staatsoper daquela cidade, sendo também convidada frequentemente a actuar nas óperas de Berlim e Munique. Para além da sua intervenção neste domínio, tem-se apresentado como solista de concerto nos mais importantes centros musicais, como Paris, Viena, São Petersburgo, Colónia e Nova Iorque, entre outros.

Quanto à vienense Regina Schoerg (Marechala) tem-se apresentado não só como cantora mozarteana por excelência (e todas as grandes straussianas devem ser supostamente grandes mozarteanas) mas também como intérprete da ópera italiana do século XIX.

FCG

Muito bom: direcção, orquestra e sopranos todas, e em particular Heidi pelo génio e Regina pela exuberância...
A mais sublime poesia em língua alemã em ópera!...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

os novos austríacos

Klangforum Wien

Olga Neuwirth: spazio elastico
Georg Friedrich Haas: REMIX
Bernhard Lang: Die Sterne des Hungers
Sabine Lutzenberger, soprano
conductor: Sylvain Cambreling
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Olga Neuwirth, Georg Friedrich Haas e Bernhard Lang são três faces da música austríaca mais recente. Têm a cidade de Graz como denominador comum dos seus percursos artísticos, mas os seus interesses e estilos são diferentes e reflectem a vitalidade do cenário musical contemporâneo do seu país de origem.

Georg Friedrich Haas dedica-se actualmente de forma exclusiva à composição e é solicitado pelos mais importantes agrupamentos e festivais europeus. Passou pelo IRCAM e por Darmstadt, ao contrário de Berhanrd Lang, cuja experiência formativa foi mais variada, passando pelo jazz e pela filosofia. Olga Neuwirth nasceu em 1968. Estudou em Graz e em San Francisco, e encontra em Tristan Murail e Luigi Nono as suas grandes influências. Tem tido uma notável projecção internacional desde que, em 1998, lhe foram dedicados dois concertos monográficos no Festival de Salzburgo, na série «Nova Geração».

De Haas será escutada a peça intitulada REMIX, dedicada ao agrupamento homónimo portuense. De Lang ouviremos Die Sterne des Hungers, sobre textos de Christine Lavant, obra que contará com a colaboração do soprano Sabine Lutzenberger. Para além destas, apresenta-se ainda Spazio Elastico, de 2005, uma obra relativamente breve e que ilustra bem a frescura e a imaginação sonora de Olga Neuwirth.

O Klangforum Wien, cabeça de cartaz do concerto, é um nome de referência obrigatória no domínio da música contemporânea, apresentando-se em Lisboa sob a batuta de Sylvain Cambreling. O compositor Pedro Amaral terá a seu cargo a apresentação do programa, numa sessão introdutória a este repertório que terá lugar no Auditório 3, uma hora antes do concerto.
FCG
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Muito bom. Aconselho também a ler o texto de Pedro Amaral no programa, o qual se consegue ler acima de algum esoterismo intelectual, para conhecer a música austríaca... Haydn, Schonberg, ... Séc. XXI.

domingo, 25 de novembro de 2007

Dezembro 2007

com início em Dezembro...

Klangforum Wien
Sylvain Cambreling (direcção)
Sabine Lutzenberger (soprano)
Olga Neuwirth
Georg Friedrich Haas
Bernhard Lang
Gulbenkian, dia 1

Nippon Koma
Mostra de Cinema Japonês
Culturgest, dias 3 a 8

Orquestra Gulbenkian
Bertrand de Billy (maestro)
Heidi Brunner (soprano), Regina Schörg (soprano), Miah Persson (soprano)
Richard Strauss: Der Rosenkavalier
Gulbenkian, dias 7 e 9

Andreas Scholl (contratenor)
Accademia Bizantina
Ottavio Dantone (direcção)
«Andreas Scholl and Friends»
Georg Friedrich Händel
Gulbenkian, dia 8

Museus do Século XXI
Conceitos, projectos, edifícios
Culturgest, dias 8 de Dezembro a 3 de Fevereiro

Rigoletto
Giuseppe Verdi
Direcção musical Aleksandr Polianichko
Encenação Emilio Sagi
Cenografia Ricardo Sánchez Cuerda
Figurinos Miguel Crespi
Desenho de luz Eduardo Bravo
Intérpretes: Lado Ataneli, Saimir Pirgu, Chelsey Schill, Ernesto Morillo, Malgorzata Walewska, Mário João Alves, Michael Vier
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
maestro titular Giovanni Andreoli
Co-produção: Teatro Nacional de São Carlos/ABAO, Bilbau
São Carlos, dias 10 a 21

Orquestra Gulbenkian
Lawrence Foster (maestro)
Angelika Kirchschlager (meio-soprano)
Benjamin Britten: Peter Grimes
René Koering: Grand Adagio
Edward Elgar: Sea Pictures
Claude Debussy: La mer
Gulbenkian, dias 13 e 14

W
Uma ópera de José Júlio Lopes
"Paisagens do Teatro Contemporâneo"
Música e Libreto José Júlio Lopes
Dramaturgia Paula Gomes Ribeiro
Apoio dramatúrgico Filomena Molder
Electrónica Carlos Caires
Vídeo Rosa Coutinho Cabral, José Júlio Lopes e Carlos Caires
Figurinos Rita Lopes Alves
OrchestrUtopica
Direcção musical Tapio Tuomela
Interpretação Soprano, tenor e barítono a anunciar
W é uma produção Coisa-Em-Si / Culturgest
Culturgest, dias 13 a 15

Akademie für Alte Musik Berlin
Rias Kammerchor
Hans-Christoph Rademann -
direcção
Letizia Scherrer – soprano, Franziska Gottwald – contralto, Maximilian Schmitt – tenor, Roderick Williams – baixo
Johann Sebastian Bach: Oratória de Natal
CCB, dia 14

"Os Portugueses"
As composições originais para a série documental "Portugal, um retrato social", exibida pela RTP, ao vivo e em directo.
Rodrigo Leão e Cinema Ensemble
São Luiz, dias 19 a 29

Coro Gulbenkian
Orquestra Gulbenkian
Michel Corboz (maestro)
Yukimo Tanimura (soprano), Katalin HalMai (meio-soprano), Patrick Van Goethem (contratenor), Jan Kobow (tenor), Stephan MacLeod (baixo)
Johann Sebastian Bach: Missa em Si menor, BWV 232
Gulbenkian, dias 20 a 22

Al Berto e Fernando Pessoa
Wordsong ao Vivo no CCB
O inovador projecto multimédia Wordsong, constituído pelos músicos Pedro d'Orey (Mler If Dada), Alexandre Cortez (Rádio Macau), Nuno Grácio, Filipe Valentim (Rádio Macau) e alguns artistas convidados, parte da poesia de autores portugueses para a transformar, desconstruir e reconstruir em experiências sonoras de formato melódico-electrónico. A esta linguagem musical inovadora, acresce o excelente trabalho em vídeo da artista plástica Rita Sá. Neste espectáculo, os Wordsong apresentam uma mistura dos seus dois trabalhos, dedicados à poesia de Al Berto (2002) e Fernando Pessoa (2006).
CCB, dia 21

O Rapaz de Bronze
De Nuno Côrte-Real
"Paisagens do Teatro Contemporâneo"
Tradução
Pedro Marques
Com
José Airosa, Sylvie Rocha e Sofia Correia
Cenografia e Figurinos
Rita Lopes Alves
Assistente de cenografia
Daniel Fernandes
Apoio vocal
Rui Baeta
Operador de som e luz
João Cachulo
Encenação e luz
Pedro Marques
Assistência de encenação
Ricardo Carolo
Uma co-produção
A&M / Artistas Unidos / Culturgest
Culturgest, dias 21 e 22

O Bosque, David Mamet
(The Woods)
Encenação: João Lopes
Interpretação: Ricardo Trêpa, Sofia Aparício
Tradução: Berta Neves
Cenógrafo: João Mendes Ribeiro
Luz: João Lourenço, Melim Teixeira
Teatro Aberto, dias 21 de Dezembro de 2007 a 10 de Fevereiro de 2008

Concerto de Natal
Orquestra de Câmara Portuguesa |Voces Caelestes
Alfred Schnittke: Noite Feliz (Stille Nacht) (para violino e Orquestra de cordas) (transcrição de Eckart Schloifer)
Johann Sebastian Bach: Magnificat em Mi bemol Maior, BWV 243a
Ludwig van Beethoven: Sinfonia n.º 5 em Dó menor, Opus 67
CCB, dia 23

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Novembro 2007

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Em Algés ...

O Veraneio da Família Anjos – Diário de Maria Leonor Anjos (1885 – 1887)” é o título do livro, da autoria de Alexandra Carvalho Antunes, cujo lançamento terá lugar no domingo, dia 25 de Novembro, às 16H00, no Palácio Anjos, em Algés, onde está actualmente instalado o CAMB – Centro de Arte Manuel de Brito (Alameda Hermano Patrone).

O Centro de Arte Manuel de Brito (CAMB), em Algés, será palco de um concerto do duo ELA NÃO É FRANCESA ELE NÃO É ESPANHOL, na última sexta-feira mês, dia 30, às 22H00. Inês Jacques e Eduardo Raon, combinam neste espectáculo voz e harpa, num registo musical que nem sempre é fácil de catalogar. Apesar da origem do seu trabalho estar no jazz, desde cedo que adquiriu uma sonoridade demasiado particular e especifica para se lhe poder colocar esse rótulo.

CMO

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Orq. Gulbenkian, Lawrence Foster, Yuja Wang

Orquestra Gulbenkian
Lawrence Foster (maestro)
Yuja Wang (piano)
(em substituição de Evgenny Kissin)

Piotr Ilitch Tchaikovsky
Suite para Orquestra Nº 4, op.61, Mozartiana

Sergei Prokofiev
Concerto para Piano Nº 3, em Dó Maior, op.26

Piotr Ilitch Tchaikovsky
Concerto para Piano Nº 1, em Si bemol menor, op.23


Repertório fácil de agradar às grandes audiências.
Yuja Wang bem, melhor Prokofiev e menos mal Tchaikovsky, expressiva como todos os pianistas chineses, mas alguma falta de maturidade natural no início de carreira. Apadrinhada por Lawrence Foster, recebeu grande aplauso.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Herbie Hancock com palavras


River: The Joni Letters
1. Court and Spark featuring Norah Jones
2. Edith and the Kingpin featuring Tina Turner
3. Both Sides Now
4. River featuring Corinne Bailey Rae
5. Sweet Bird
6. Tea Leaf Prophecy featuring Joni Mitchell
7. Solitude
8. Amelia featuring Luciana Souza
9. Nefertiti
10. The Jungle Line featuring Leonard Cohen
11. All I Want featuring Sonya Kitchell
12. A Case of You

Muito bom.

Edith and the Kingpin, Joni Mitchell

domingo, 18 de novembro de 2007

A Noite da Iguana, Tennessee Williams

Teatro Maria Matos, 21 a 25 de Novembro de 2007
Em A Noite da Iguana os universos densos e obscuros de Tennessee Williams parecem potenciados pela própria escolha do local da acção. Algures na escaldante atmosfera tropical mexicana, refugiado num motel barato, um ex-pastor religioso, agora transformado em guia turístico, afundado no álcool, doente física e mentalmente, procura expiar os seus pecados, com vista à purificação que lhe permita voltar ao púlpito. O seu encontro fortuito com uma desenhadora, estabelece um clima erotizado de confidência e troca de experiências, em que o fascínio inicial da diferença rapidamente se transforma em identificação.
A confissão dos segredos mais profundos, da solidão, do desejo de satisfação e do remorso, tornam-nos “almas gémeas”, e por consequência, possibilitam “a viagem” em conjunto a que se propunham, pois só a diferença potencia, só ela é positivamente geradora.
O cepticismo pessimista de Williams lança as suas personagens num profundo desespero à medida que vão mergulhando cada vez mais no âmago de si mesmas. Personagens fortes, controversas, contraditórias, que constituem para o actor um estimulante desafio ao aprofundamento da pesquisa incessante dos meandros da razão e da emoção da mente humana.

tradução Dulce Fernandes
encenação João Paulo Costa
cenografia Paulo Oliveira
figurinos e adereços Ana Teresa Castelo
sonoplastia Luís Aly
desenho de luz José Carlos Gomes
fotografia Hugo Calçada
interpretação António Capelo, Carlos Peixoto, Estrela Novais, Hélio Sequeira, José Pinto, Nídia Fonseca, Pedro Damião, Romi Soares, Sandra Salomé e Silvano Magalhães
operação de luz Nelson Lima
operação de som Valter Alves
produção executiva Pedro Aparício e Glória Cheio
produção ACE/Teatro do Bolhão e Teatro Maria Matos

O Teatro do Bolhão com mais uma boa vinda a Lisboa.
Agradável e sem ser pretensioso.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Ciclo Thomas Bernhard

Centro Cultural de Belém
19-11-2007 a 01-12-2007

Da relação do escritor com a música à relação com o teatro, o Ciclo Thomas Bernhard inclui uma exposição, um concerto, conversas sobre a obra do autor austríaco, leituras dramatizadas, um lançamento de dois livros e uma peça de teatro. Haverá ainda o jornal Thomas Bernhard.

O Fazedor de Teatro
Companhia de Teatro de Almada
A companhia de Teatro de Almada repõe a encenação de Joaquim Benite da peça de Thomas Bernhard, O Fazedor de Teatro, numa interpretação que valeu ao actor Morais e Castro, como Bruscon, o Prémio da Crítica em 2004.

Muito bom. Morais e Castro e Thomas Bernhard como nunca tinha visto.
Exposição também interessante centrada nas duas pessoas que marcaram a vida de Thomas Bernhard e um filme com conversas.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Verdi: Requiem

Coro Gulbenkian
Orquestra Gulbenkian
Michel Corboz (maestro)
Michèle Crider (soprano)
Bernarda Fink (meio-soprano)
Vsevolod Grivnov (tenor)
Peter Lika (baixo)

Giuseppe Verdi
Requiem

Gulbenkian
15 e 16 de Novembro de 2007



O Requiem de Verdi tem tido em Lisboa execuções absolutamente inesquecíveis. Por cá passaram, de facto, como intérpretes desta luminosa e apavorada partitura, algumas das mais imponentes vozes da segunda metade do século XX.

A Fundação Gulbenkian, que tem promovido algumas das mais importantes execuções da obra no nosso país, oferece com os presentes concertos uma verdadeira «prenda» aos mais dependentes de vocalidades. Em primeiro lugar, assinalará a estreia no nosso país de uma das mais famosas sopranos da actualidade: Michèle Crider. Esta cantora nascida em Buenos Aires pode ser considerada como a intérprete ideal do repertório de soprano lirico spinto, aquela categoria que surge entre o soprano lírico e o soprano dramático, isto é, capaz de sustentar grandes linhas impregnadas de lirismo, que obrigam a um legato inquebrantável, e ao mesmo tempo preparar-se para, a qualquer altura, descer até às regiões infernais do soprano dramático. Os papeis com que Michèle Crider se tem apresentado em todos os grandes teatros de ópera do mundo desde a época em que a sua carreira se elevou (os inícios dos anos 90) assim o atestam: Amélia, de Un ballo in Maschera, Elvira, de Ernani, Odabella, de Attila, Leonora, de Il Trovatore, Aida, Elisabetta de Don Carlos, Norma, Imogene de Il Pirata, Tosca, Madama Butterfly, La Gioconda ou ainda Santuzza, de Cavalleria Rusticana.

Michèle Crider tem igualmente desenvolvido uma brilhante carreira como concertista sob a direcção de Muti, Barenboim, Mehta, Levine, Santi, von Dohnanyi, Bychkov, Ozawa, Chailly e Davis. De entre várias gravações em que participou, relevem-se as suas interpretações de Amélia, de Un Ballo in Maschera, a Elena e a Margherita de Mefistofele, e a parte de soprano de Requiem de Verdi, esta última gravação sob a direcção de Richard Hickox e com a Orquestra Sinfónica de Londres.

Mas nem só de soprano vive o Requiem, seria caso para afirmar, mas nenhum outro Requiem confere esta importância absoluta ao soprano, confiando-lhe o enorme «Libera Me» final, as páginas onde Verdi verteu todos os seus terrores e onde a carga expressiva, a par com a dificuldade vocal, aumenta exponencialmente.

De qualquer modo, teremos, ao lado de Michèle Crider, um elenco verdadeiramente de luxo. Como executante da parte de contralto, a consagrada Bernarda Fink, meio-soprano que se tem evidenciado nos últimos anos pela plasticidade de uma voz que lhe tem permitido ingressar triunfalmente nos mais variados repertórios e estilos. Esta incomum versatilidade permitiu-lhe gravar e apresentar ao vivo um vasto leque de obras, desde recitais de Lied às grandes Paixões de Bach. Monteverdi, Handel, Bach, Rameau, Hasse, Haydn, Schubert, Dvorak, Brahms, Berlioz, Ravel, Rossini, Bruckner e Schumann são outros dos muitos compositores por cuja obra tem deambulado. Em ópera tem escolhido fundamentalmente o repertório pré-romântico (Haendel, Mozart, Gluck), mas obteve triunfos com a sua interpretação de Tancredi. Neste Requiem colaborará ainda o jovem tenor russo Vsevolov Grivnov, que iniciou há pouco uma carreira que o tem levado desde o Scala de Milão aos estúdios de gravação (assinale-se que gravou O Rouxinol, de Stravinsky, com Natalie Dessay, sob a direcção de James Conlon). Apresentar-se-á também o baixo alemão Peter Lika, cantor igualmente consagrado, que já actuou sob a direcção de Celibidache, Kubelic, Masur, Norrington, Viotti, Gardiner, Cambreling, Janowski e Gielen. Peter Lika domina também um repertório invulgarmente vasto, que se estende de Monteverdi e Bach, até Penderecki e Heinze, passando por Mozart, Haydn, Beethoven, Mendelssohn, Stravinsky, Schönberg. Aqui terá de cantar o «Confutatis maledictis», o trecho mais dogmático e negro de toda esta luminosíssima obra.

O público que tem acompanhado ao longo dos anos a vida musical da Fundação Gulbenkian sabe que Michel Corboz, que será o maestro, saberá como poucos transmitir a luminosidade que impregna todo este Requiem.
FCG
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Muito bom. Todos bem, intérpretes, orquestra e direcção, num dos
requiem mais celebrados com voz principal para soprano.
Michèle Crider foi bem, sem exagerar.
Corboz com grandes direcção e visão da obra operática.

críticas...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

e dançaram para sempre, Clara Andermatt


Nova criação de Clara Andermatt a partir da música La boîte à joujoux de Claude Debussy
direcção e coreografia Clara Andermatt
cenografia e figurinos Joana Vasconcelos
desenho de luz e direcção técnica Carlos Ramos
piano António Rosado
intérpretes Joana Bergano / Marta Cerqueira / Avelino Chantre / David Almeida / Pedro Mendes
Carlota Carreira / Marcelino Sambé (alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional)
Produção Executiva ACCCA - Companhia Clara Andermatt
Encomenda Teatro Nacional de São Carlos | Cenários de dança
Co-produção
Accca - Companhia Clara Andermatt / Teatro Nacional de São Carlos
Com o apoio da Fundação EDP
T. N. São Carlos, dias 9 a 11 de Novembro

"As caixas de brinquedos são, efectivamente, espécies de cidades nas quais os brinquedos vivem como pessoas. Ou talvez as cidades não sejam mais do que caixas de brinquedos nas quais as pessoas vivem como brinquedos."

Interessante.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Orquestra Filarmónica de Los Angeles

Esa-Pekka Salonen (maestro)
LA Phil
blog

Jean Sibelius
Sinfonia Nº 4, em Lá menor, op.63

Steven Stucky
Radical Light *

Jean Sibelius
Sinfonia Nº 7, em Dó Maior, op.105

(*) 1ª Audição em Portugal

Ciclo Gulbenkian de Grandes Orquestras Mundiais
Coliseu dos Recreios, dia 13 de Novembro

Encores também de Sibelius: Finlandia, Valse triste.
Tudo magnífico.
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Comemora-se em 2007 o cinquentenário do compositor Jean Sibelius, um nome marcante, embora por vezes injustamente menosprezado, da criação musical do século XX. Identificado fundamentalmente com as paisagens naturais e com a mitologia da Finlândia, Sibelius é ainda um dos grandes nomes de todos os tempos no domínio do repertório orquestral. Algumas das suas obras, nomeadamente as duas que serão escutadas neste concerto, abriram novos caminhos aos compositores que lhe seguiram, sobretudo no que diz respeito à utilização da textura e da sonoridade como elementos estruturantes da composição ou à manipulação da percepção mediante a sobreposição de camadas com diferentes referências do ponto de vista temporal.

Através da execução da integral das sinfonias de Sibelius, o maestro finlandês Esa-Pekka Salonen homenageou este ano o seu compatriota, à frente da Orquestra Filarmónica de Los Angeles, agrupamento do qual foi nomeado director musical em 1992. Lisboa recebe agora uma amostra desta iniciativa, materializada num programa que inclui duas das mais apreciadas sinfonias, a quarta e a sétima, e, ainda, uma peça do compositor americano Steve Stucky, especialmente encomendada para a ocasião.

Salonen encomendou a Stucky, um compositor que tem tido recentemente um notável protagonismo no seu país natal, uma partitura «sibeliana». O resultado foi Radical Light, uma virtuosística peça orquestral que faz par com a Sétima de Sibelius, e cujo interesse, no entanto, vai para além da relação com o seu confessado - e admirado - modelo.
FCG

sábado, 3 de novembro de 2007

Hermitage em Lisboa

Arte e Cultura do Império Russo nas Colecções do Hermitage
De Pedro, o Grande, a Nicolau II


Palácio Nacional da Ajuda
27 de Outubro de 2007 a 17 de Fevereiro de 2008

Exposição razoável/boa, retratos e artes decorativas... convém escolher um momento com poucos visitantes.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Sonata de Outono, Fernanda Lapa e Cucha Carvalheiro


Sonata de Outono de Ingmar Bergman
Teatro São Luiz, 2 a 25 de Novembro de 2007

Texto Ingmar Bergman
Tradução Fernanda Lapa e Jonas Omberg
Encenação Fernanda Lapa e Cucha Carvalheiro
Cenografia e Figurinos António Lagarto
Desenho de Luz Mário Bessa
Selecção Musical Nuno Vieira de Almeida
Elocução Luis Madureira
Assistência de Figurinos Catarina Varatojo
Assistência de Cenografia Pedro Mira
Interpretação Fernanda Lapa, Ana Bustorff, Virgílio Castelo e Marta Lapa
Co-produção: SLTM / Escola de Mulheres-Oficina de Teatro
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O instinto maternal é uma mentira ou Sonata de Outono.
Mãe e filha encontram-se depois de sete anos de separação. A mãe, Charlotte, é uma pianista mundialmente famosa, já sexagenária e ainda no auge da sua carreira. Uma mulher capaz de interpretar as mais delicadas composições de Chopin ou Beethoven, mas sempre incompetente ao tentar interpretar a própria filha, Eva.
A Eva nenhuma palavra ou gesto lhe passou despercebida ao longo da sua vida, especialmente se estas palavras e gestos vieram da mãe. Considera-se “filha de uma mãe que nunca fica frustrada, decepcionada ou infeliz”, definição que, mesmo irónica, a marcou para sempre, uma vez que Charlotte lhe impôs doses equivocadas de felicidade e segurança. Casada com Viktor, um pastor protestante passivo e observador, ela vê o marido como um amigo, sendo, como é, incapaz de acreditar no amor. Helena, a irmã mais nova, sofre de uma doença degenerativa, o que afastou sempre de si a mãe.
Neste regresso, Charlotte é obrigada a confrontar-se com o facto de as duas irmãs viverem juntas. Bergman destrói a convenção das relações afectuosas entre mães e filhas. A dor é a personagem central deste huis-clos que nos sufoca pela sua dureza.

Boa peça. Boas interpretações e encenação.
Texto ou comparação com filme difícil.
Sem surpreender, uma boa noite.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Centre Pompidou Novos Media 1965-2003

MNAC - Museu do Chiado
19 Outubro 2007 a 7 Janeiro 2008

Exposição muito interessante e uma boa retrospectiva do vídeo, e de novos media, nas artes. Obras interactivas ainda fascinantes.

Secções
para uma televisão imaginária
pesquisas de identidade
do vídeo à instalação
pós-cinema

Vito Acconci, Samuel Beckett, Dara Birnbaum, Matthieu Laurette, Peter Campus, Stan Douglas, Chris Marker, Valie Export, Bruce Nauman, Jean-Luc Godard, Marcel Odenbach, Douglas Gordon, Tony Oursler, Dan Graham, Nam June Paik, Gary Hill, Pierre Huyghe, Bill Viola, Martial Raysse

Centre Pompidou Novos Media 1965-2003 apresenta a história dos novos media através de trabalhos históricos de alguns dos mais importantes artistas contemporâneos: de Nam June Paik a Pierre Huyghe, de Samuel Beckett a Stan Douglas, de Valie Export a Dan Graham passando por Bruce Nauman, Chris Marker, Bill Viola ou Douglas Gordon, entre outros. Um total de 19 artistas, de quem se apresentam 23 obras, todas elas pertencentes à colecção de Novos Media do Centre Pompidou, em Paris.

O vídeo enquanto medium artístico surgiu no princípio da década de 60, sendo utilizado sobretudo pelos artistas para registar os seus trabalhos performativos. Desenvolvendo-se durante a década seguinte como uma alternativa prática ao filme, o vídeo, tal como a televisão, tornou-se massivamente acessível, passando a ser especialmente apelativo para os artistas que procuram uma audiência alargada para o seu trabalho. Nos anos 80 torna-se cada vez mais comum e o termo new media é cunhado para referir o vídeo enquanto expressão artística. Alguns artistas, que o utilizavam apenas como meio para documentar trabalhos efémeros, começam a explorar este novo terreno, recorrendo a estratégias da emissão televisiva, de forma a realizarem uma crítica à linguagem dos mass media ou experimentando as capacidades técnicas do suporte (circuitos fechados, feedback, fast-forward ou câmara lenta, etc.). Outro sentido da evolução do vídeo enquanto medium ocorre sobretudo ao longo dos anos 90, quando alguns artistas aprofundam a experimentação com a instalação, através do desenvolvimento de mecanismos discursivos, ou do recurso a sistemas narrativos cinemáticos. Nos anos 2000, outras orientações têm vindo a ser perseguidas com pesquisas ao nível da tecnologia, da interactividade, da teatralidade e, sobretudo, do documentário.

Comissariada por Christine Van Assche, curadora do departamento de Novos Media do Centre Pompidou, a exposição é organizada em quatro núcleos conceptuais – Para uma televisão imaginária; Pesquisas de identidade; Do vídeo à instalação; Pós-cinema –, que contribuem para a explanação de um entendimento da história do vídeo nos últimos quarenta anos, que extravasa os parâmetros cronológicos.

MNAC - MC