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segunda-feira, 26 de junho de 2006

O Nariz, Dmitry Shostakovich



3-11 Julho 2006
Teatro Nacional de São Carlos

Ópera em três actos, op. 15 (1930), com libreto do compositor em colaboração com Evgueni Zamiatine, Grigori Ionine e Alexander Preis, segundo o conto de Nicolai V. Gogol.

Direcção musical Donato Renzetti / João Paulo Santos
Encenação João Lourenço
Cenografia Jochen Finke
Figurinos Renée Hendrix
Dramaturgia Vera San Payo de Lemos
Coreografia Carlos Prado
Luzes Pedro Martins

Intérpretes
Andrew Schroeder
Major Platon Kuzmitch Kovaliov
Anna Carnovali
Praskovia Osipovna/Uma Parente/Uma Senhora Nobre
Ana Ester Neves
Uma Mãe/Filha de Pelageia Grigorievna Podtotchina
Carla Simões
Uma Parente da Velha Senhora
Carlos Guilherme
Nariz/Graduado
Dimitry Ovtchinnikov
6.º Criado/4.º Polícia/4.º Senhor/1.º Filho
Diogo Oliveira
Lacaio/1.º Criado/10.º Polícia/3.º Estudante
Fernando Cordeiro Opa
8.º Polícia/1.º Senhor
Frederico Félix António
Filho/1.º Dandy/2.º Conhecido
Gianluca Sorrentino
Iarïzhkin/Polícia
Guy Flechter
Chefe da Polícia/Eunuco
João de Oliveira
Um Guarda/8.º Criado/1.º Polícia/2.º Recém-chegado/6.º Senhor/1.º Conhecido
Jorge Martins
2.º Criado/Chefe de Estação
José Lourenço
9.º Polícia/1.º Estudante/3. Senhor
Lara Martins
Soprano solo/Vendedora/Mulher
Marcos Santos
7.º Polícia/7.º Estudante
Mário João Alves
Ivan, um criado/Velho
Marco Alves dos Santos
5.º Polícia/Tenor solo/2.º senhor/2.º e 6.º Estudante
Mário Redondo
Ivan Iakovlevitch/Pai/Vendedor/Lacaio
Paula Morna Dória
Velha Senhora/ Pelageia Grigorievna Podtotchina
Pedro Chaves
Um Polícia/Piotr Fiodorovitch/7.º Senhor/1.º Recém-chegado/5.º Estudante
Pedro Correia
Cocheiro/7.º Criado/ 3.º Conhecido/8.º Estudante/3.º Polícia
Rui Baeta
5.º Criado/2.º Filho/2.º Dandy/Voz Anónima/4.º Estudante
Vazgen Ghazarjan
4.º Criado/6.º Polícia/5.º Senhor
Vladimir Matorin
Empregado de anúncios/Médico/Ivan Ivanovitch

Orquestra Sinfónica Portuguesa

Coro do Teatro Nacional de São Carlos
maestro titular Giovanni Andreoli

Nova Produção
Teatro Nacional de São Carlos
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Shostakovichiana, a collection of documents and photographs relating to Shostakovich.
Biography (1906-1975).
Discography.
Guardian.uk.
mvdaily.com.
nytimes.com.
ionarts.blogspot.com.

"As for the strictly technical devices from such musical 'systems' as, say, the twelve-tone or the aleatory ... everything is good in moderation ... The use of elements from these complex systems is entirely justified if it is dictated by the idea of the composition."
Shostakovich on the use of avant-garde techniques.
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Ópera em três actos e um epílogo de Dimitri Chostakovitch.
Libreto do compositor em colaboração com Alexandre Preis, Grigori Ionine, Evgueni Zamiatine, segundo o conto de Nicolai V. Gogol.
Criação : Leninegrado, Teatro Maly, 18 Janeiro 1930

O Nariz de Chostakovitch é uma magnífica obra de arquitectura satírica, fundamentada numa collage de estilos, que convoca a paródia, o absurdo, o apontamento circense, o episódio sério, a alegoria burlesca, num virtuoso contraponto de momentos solidamente díspares. O espírito de cabaret reveste a intrincada estrutura teatral, pontuada por características surrealistas, derisão essencial estimulada por uma dramaturgia baseada em astuciosos diálogos de personagens-marionetes, aqui detentoras de um poderoso discurso vocal, pleno de nuances que se evidenciam no espectro entre a linguagem falada e o canto.

Chostakovitch, atento ao discurso vanguardista austro-germânico e à dramaturgia de Vsevolod Meyerhold - que exercerá sobre o compositor uma ascendência muito significativa -, empreende em 1927 a adaptação de O Nariz de Gogol (sátira à «época do chicote» de Nicolau I), parte dos Contos de S. Petersburgo. A concepção do rebuscado libreto, iniciado por Zamiatina, ao qual se associarão os jovens Alexandre Preis e Georgi Ionin, irá integrar excertos de outras obras de Gogol, nomeadamente de Almas Mortas, Casamento e Diário de um louco, e ainda a Canção de Smerdiakov de Os Irmãos Karamazov de Dostoievski. Esta rara comédia lírica que requer uma exigente produção, reunindo, nomeadamente, mais de setenta personagens, será estreada em 1930, no Teatro Maly de Leninegrado, sendo recebida com alguma hostilidade, e tem vindo, desde então, a recolher êxitos tardios em teatros de todo o mundo.

O argumento conta-nos como Ivan Iakolevitch, descobre um dia, num pedaço de pão do seu pequeno-almoço, um nariz. Ivan procura desfazer-se rapidamente deste apêndice. Na mesma manhã, o major Kovaljov, ao acordar, apercebe-se que lhe falta o Nariz e apresenta queixa na polícia dirigindo-se posteriormente à redacção de um jornal para editar um anúncio. O Nariz surge então na catedral de Kazan sob um uniforme de conselheiro de estado reaparecendo a partir desse momento em diversos locais da região, desafiando a competência policial, que encontra muitas dificuldades no contexto deste difícil processo. No epílogo, Kovaljov, ao acordar, apercebe-se que o seu nariz está de novo no sítio regressando finalmente a sua existência à normalidade.

PGR - TNSC

sábado, 24 de junho de 2006

Almada 2006



... com as coincidências de ...


ESODO (Êxodo)
de Pippo Delbono
em co-apresentação com o Centro Cultural de Belém

Compagnia Pippo Delbono em co-produção com Emília Romagna Teatro
Encenação de Pippo Delbono Fondazione
Itália

21h00 Quinta 13
21h00 Sexta 14
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Rhinocéros (Rinoceronte)
de Eugène Ionesco
em co-apresentação com o Teatro Nacional D. Maria II

com o apoio da Association Française d’Action Artistique

La Comédie de Reims C. D. N.
co-produção Théâtre de la Ville (Paris)
encenação de Emmanuel Demarcy-Mota
França

21h30 Quinta 13
21h30 Sexta 14
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Giorni Felici (Os Dias Felizes)
de Samuel Beckett
com o apoio do Instituto Italiano de Cultura

Piccolo Teatro di Milano
encenação de Giorgio Strehler, reposta por
Carlo Battistoni
Itália

Novo Teatro Municipal de Almada
21h30 Quinta 13
21h00 Sexta 15

terça-feira, 20 de junho de 2006

Temporada Lírica T. N. São Carlos 2006/2007

Così Fan Tutte
Wolfgang Amadeus Mozart
Opera buffa em dois actos K. 588.
Libreto de Lorenzo Da Ponte.
Encenação de Mário Martone.
Direcção musical de Donato Renzetti.
(30 Novembro - 9 Dezembro)

Génesis Suite
Igor Stravinsky
Uma interpretação musical de vários capítulos do Livro do Génesis.
Narração da actriz francesa Fanny Ardant.
Oratória cénica na qual Arnold Schönberg, Darius Milhaud, Igor Stravinsky e Mario Castelnuovo-Tedesco verteram a sua visão do I Livro bíblico.

Oedipus Rex
Igor Stravinsky
Versão de concerto. Ópera-oratória em dois actos.
Direcção musical de Donato Renzetti.
(20-22 Dezembro)

Wozzeck
Alban Berg
(libreto e composição)
Ópera em três actos.
Uma das óperas da temporada 2004-2005 que fora cancelada.
Encenação e cenografia de Stéphane Braunschweig.
Direcção musical de Eliahu Inbal.
(17-21
Janeiro)

As Valquírias (Die Walküre)
Richard Wagner
Primeira jornada em três actos do festival cénico Der Ring des Nibelungen (O Anel dos Nibelungos).
Encenação de Graham Vick.
O encenador de "O Ouro do Reno" da temporada de 2005-2006.
Cenografia e figurinos de Timothy O'Brien.
Desenho de luzes de Peter Kaczorowski.
Direcção musical de Marko Letonja.
(24 Fevereiro - 19 Março)

Montezuma
Antonio Vivaldi
Ópera em três actos.
Estreia absoluta da versão encenada nos tempos modernos
.
Libreto de Girolamo Giusti.
Encenação de Stefano Vizioli.
Direcção musical de Alan Curtis.
(4-11 Abril)

L'italiana in Algeri

Gioacchino Rossini
Dramma giocoso.
Libreto de Angelo Anelli.
Encenação de Toni Servillo.
Direcção musical de Donato Renzetti.
(2-10 Maio)

Macbeth
Giuseppe Verdi
Ópera em quatro actos.
Libreto de Francesco Maria Piave.
Encenação de István Gaál.
Direcção musical de Antonio Pirolli.
(31 Maio - 8 Junho)

Maria de Buenos Aires
Astor Piazzola
Ópera-tango surrealista.
Libreto de Horacio Ferrer
Intérprete titular a fadista Mísia e um festival de flamenco com três dos maiores intérpretes de Espanha.
Encenação de Desirée Meiser.
Direcção musical de Victor Villena.
(29 Junho - 4
Julho)

sexta-feira, 16 de junho de 2006

O Ginjal

Cornucópia continua ciclo Tchekov com Christine Laurent.
Teatro do Bairro Alto, Lisboa, estreia dia 22 de Junho.

De 22 de Junho a 30 de Julho de 2006

Teatro do Bairro Alto, Lisboa

Tradução Nina Guerra e Filipe Guerra
Encenação, adaptação e guião de espectáculo Christine Laurent
Cenário e figurinos Cristina Reis
Desenho de luz Daniel Worm d’Assumpção
Som Vasco Pimentel
Interpretação Cleia Almeida, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Luis Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Márcia Breia, Pedro Lacerda, Rita Durão, Rita Loureiro e Sofia Marques.
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O Teatro da Cornucópia, que há pouco representou A Gaivota, continua a sua abordagem da obra de Anton Tchekov com a apresentação de um novo espectáculo, a partir da última obra do mesmo autor: O Cerejal, peça para a qual a tradução adoptada de Nina Guerra e Filipe Guerra recupera o título mais próximo do original russo de O Ginjal.

Trata-se de um espectáculo de natureza e objectivos muito diferentes do trabalho anterior. Mais do que de uma apresentação da peça, trata-se aqui da apresentação de um trabalho sobre um texto de Tchekov, de uma tentativa de apropriação, por um grupo de actores, de um universo dramático e poético particularmente rico e complexo, motivador de múltiplos níveis de interpretação. Sem a pretensão de apresentar um trabalho acabado, a companhia apresentará ao público uma tentativa de leitura descarnada e sem defesas, como se quisesse transformar em espectáculo, expor perante o público, tanto como a peça, o seu próprio trabalho de ensaios, o seu convívio com cada frase, com cada personagem, com cada situação, com cada dificuldade, com a complexa estrutura de um texto construído com regras quase musicais.

O espectáculo foi dirigido por Christine Laurent, cineasta, argumentista e encenadora que regularmente tem sido chamada a colaborar com o Teatro da Cornucópia. Com a Companhia criou já quatro espectáculos: Diálogos em Roma de Francisco de Holanda, Barba Azul de Jean-Claude Biette, O Lírio de Molnár e D. João e Fausto de Grabbe. Para este trabalho sobre Tchekov, Christine Laurent adaptou a peça e criou um guião de espectáculo que insere também fragmentos da correspondência entre o autor e a sua mulher, a actriz do Teatro de Arte de Moscovo que, na encenação original de Konstantin Stanislavsky, interpretava o papel de Liubov Andreevna Ranevskaia, a dona do Ginjal.

O espectáculo deixa-se conduzir pela própria sequência dos actos da peça de Tchekov que tanto diz sobre as relações humanas e onde tão pouco é costume dizer que alguma coisa se passa. Quase não há intriga: uma fidalga, a proprietária arruinada de uma propriedade rural na Rússia pré-revolucionária do início do século XX, volta ao seu Ginjal que ameaça ser vendido para saldar dívidas. A dolorosa decisão de o vender e de abandonar a propriedade que durante gerações foi a casa da família, arrasta-se de adiamento em adiamento, até que um amigo próximo, filho de um mujique, servo da família, acaba por “salvar” a situação, comprando-a para ser dividida em lotes para construção de casas de campo, depois de derrubado o enorme pomar de ginjeiras. O Ginjal será destruído, todos se dispersarão, um mundo acaba, começa uma nova era. É a vida dos habitantes desta quinta durante os últimos meses antes do desmantelamento da herdade que nesta peça Tchekov toma para a construção do seu microcosmos: a proprietária viúva e o seu irmão, a sua filha e a sua filha adoptiva, a preceptora, as visitas da casa, os criados. E com a orquestração dos pedaços destas vidas nos devolve a vida inteira.

Sobre o projecto escreveu a encenadora: “Um trabalho sobre o espaço e o tempo. É como se, com os actores, partíssemos de uma página em branco ou do silêncio total, do esquecimento do sono, e depois, devagarinho, como se nos puséssemos a viver, ali, essa estranha e longa jornada fictícia, inventada por Tchekov, que se desenrola, a partir de uma aurora de primavera fria, através da descida do crepúsculo de um dia de verão, e de uma noite de baile trepidante, até a uma tarde gelada de outono.

A aposta deste trabalho, é ritmar a concordância destes quatro tempos em contraponto com a meteorologia afectiva e pessoal de cada uma das personagens. Algumas delas hão-de verificar, à sua custa, que “quem volta atrás no espaço, não volta atrás no tempo”(*)
(*) Vladimir Jankélévitch”

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Scapino Ballet Rotterdam


Sister Fury - Ed Wubbe
Apresenta três mulheres que querem libertar-se do seu isolamento.


The Green - Ed Wubbe
Uma comparação da magnitude de "Paixão Segundo S. João", de Bach, com a insignificância do homem.


Wilsonians - Ed Wubbe
Uma peça em ritmo acelerado com rápidas mudanças de cenário.


Fo(4)r - Georg Reischl
(para quatro bailarinos)

Âffi by Marco Goecke
(também uma peça rápida e expressiva)
e
Geeekspeak by Stephen Shropshire
(inspirada na dinâmica de grupo).

23 e 24 de Junho, Festival de Sintra
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SISTER FURY
Coreografia: Ed Wubbe
Música: J.S. Bach
Figurinos: Pamela Homoet
Iluminação: Benno Veen / Ed Wubbe
Cenário: Ed Wubbe and Amber Heij (AMMO)
Vídeo: Amber Heij (AMMO)
Estreia: 8 de Abril de 2004, Stadsschouwburg Amsterdam
Duração: 14m

ÄFFI
Coreografia: Marco Goecke
Música: Johnny Cash
Figurinos: Michaela Springer
Iluminação: Udo Haberland
Estreia: Junho de 2005, Musis Sacrum/Schouwburg Arnhem
Duração: 10m

THE GREEN
Coreografia: Ed Wubbe
Música: J.S. Bach (Abertura da Paixão Segundo S. João)
Figurinos: Pamela Homoet
Iluminação: Mark Truebridge
Cenografia: Ed Wubbe
Estreia: 15 de Fevereiro de 2006, Rotterdamse Schouwburg
Duração: 20m

GEEKSPEAK
Coreografia: Stephen Shropshire
Música: Pamela Z, Geekspeak
Figurinos: Stephen Shropshire
Iluminação: Stephen Shropshire / Aram Visser
Estreia: 11 de Junho de 2006, Rotterdamse Schouwburg
Duração: 10m

FO(4)R
Coreografia: Georg Reischl
Música: Michiel Jansen
Iluminação e Figurinos: Georg Reischl
Estreia: 15 de Fevereiro de 2006, Rotterdamse Schouwburg
Duração: 18m

WILSONIAN
Coreografia: Ed Wubbe
Música: Der BlutHarsch, Kenny Larkin
Figurinos: Pamela Homoet
Iluminação: Benno Veen
Estreia: 2 de Junho de 2005, Rotterdamse Schouwburg
Duração: 16m
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Ed Wubbe
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Ed Wubbe once named Rameau and Kathleen as his essential ballets, because of their extreme, dramatic nature. They thereby mark the musical and theatrical lines along which his work unfolds.

RAMEAU represents the dancing-to-music line, which he initiated in ballets set to Handel (Messiah) and Vivaldi (Nisi Dominus), both of which were sparkling choreographic works that accentuated the energy and dynamics of the music, and continued in Parts and Perfect Skin, set to Bach. However, something of the drama of Kathleen, which turned out to be the overture to a theatrical line, also lay dormant in Rameau. He combined his fascination for the cool, formal harpsichord music of the baroque composer Rameau with the last days of courtly music and thereby to the disenchantment of the French nobility waiting resignedly forthe guillotine. This explains why some of the dancers, slightly bored, watch the wilful duets and solos performed by dancers in leather jackets and sturdy boots.

In Rameau, Wubbe made a deep scratch in the gloss of the ballet aesthetics he had been given in his classical training and as a dancer and choreographer at the Nederlands Dans Theater and Introdans. Initially, he was still very much influenced by Kylian. White Streams, set to Arvo Part, was a successful example of a music ballet in which the continuous flow of movements in an organic dance idiom yielded a fine lyrical image. By contrast, his idiom became angular and sharp when he worked with the classical dancers of the Scapino Ballet and learned to make use of their dancing in ballet slippers, as in Nisi Dominus, Rameau, Parts and Perfect Skin.

KATHLEEN was a real turning-point, as an intense dance ritual set to pop music by Godflesh, with vivacious trios, aggressive group dances and a gripping male solo. This was a powerful work that displayed a pessimistic nihilism on which it made implicit comment. This contemporary West Side Story was also a statement by a choreographer who had been able to free himself entirely from the tradition that had characterised the Scapino youth ballet company since its founding in 1945. No subsequent ballet was as furious as Kathleen.

Even his LE SACRE DU PRINTEMPS was a refined combination of dance, music, light and set, for which he deliberately chose not Stravinsky's violent orchestral work but Maarten Bon's subtle adaptation for pianos.

His theatrical work was cerebral rather than compelling, and was impressionist in tone as a result of its light dance idiom and associative storyline. For example, he set ROMEO & JULIA to an amalgam of non-western music - love songs - and concentrated the story into twelve scenes. Writings by Shakespeare, Yourcenar, Da Vinci and Marinetti touched upon the original love tragedy. The love duet - the balcony scene - was a particularscorcher, afterwhich the vengeful Tybalt made sure the burning love charred into a pile of smouldering ash.

THE SCHLIEMANN PIECES focussed on the passion with which the amateur archaeologist Schliemann once sought Troy. Excerpts from his diary and from the Iliad were quoted. Apart from Schliemann, the Greek beauty Sophia was also identifiable as a character.

The leading character's feverish quest seemed to represent the equally single-minded way Wubbe sought a formula for making theatrical work that was not predictable. He was more successful atthis in NICO, about the life and music of the legendary singer. lts great asset was the music specially composed by John Cale, a member of The Velvet Underground at the time and a former lover of Nico's. Cale's music was alternated with songs by Nico on tape. One could follow the course of Nico's life in the danced scènes, without resort to anecdote: the Chelsea Girl in New York who created a furore with her organ and seasoned singing in the seventies, until her sojourn and death on Ibiza. This piece, where music, dance and drama were all of a piece, was made especially gripping by the performance of Beth Bartholomew.

ROSARY was a successful example of the new style of music ballet. It was a sparkling group work that playfully and organically translated the emotions from Schubert's String Quartet in C. With thanks to the dancers, who creamed off the articulated movements of the legs and fitful turns of the torso and in their stock-inged feet made them appear feather-light. An utterly lyrical ballet that nevertheless did not come across as overly fragrant and in which hè proved his mature ability as a creator of pure dance constructions and duets.

As a modern choreographer and leader of the leading Scapino company, now brought up to date, Wubbe wants to establish links with other disciplines and art institutions in Rotterdam. He has for example collaborated with Winy Maas of the MVRDV firm of architects. Using computer graphics, designers translated her stratified concept of'the stacked city' into a virtual stage set, a kaleidoscopic panorama of abstract images in which dancers performed like symbols of the human dimension. MANYFACTS, Life in the 30 City was about the interaction between anonymous and personal, abstraction and emotion. Wubbe wants to express this personal aspect in his dances.

His classically-based modern dance is nevertheless highly stylised, but this does not stop the dancers from making their own mark on it: in the past there were Charlotte Baines and Keith-Derrick Randolph, and now, together with Mischa van Leeuwen and Bonnie Doets there are another twenty-two high-quality expressive dancers.

Isabelle Lanz (2003)
Contemporary Dance in the Low Countries

segunda-feira, 5 de junho de 2006

I Prémio Internacional de Música
Don Juan de Borbón


María Joao Pires gana el I Premio Internacional de música don Juan de Borbón

Segovia, 5 jun (EFE).- La portuguesa María Joao Pires, considerada como uno de los máximos valores del piano contemporáneo, fue galardonada hoy en Segovia con el I Premio Internacional de Música don Juan de Borbón, dotado con 60.000 euros.

Un jurado, presidido por el compositor polaco de renombre internacional Krzysztof Penderecki, Premio Príncipe de Asturias de las Artes en 2001, consideró "los extraordinarios valores musicales de la ganadora en la interpretación pianística".

Asimismo, de acuerdo con Penderecki, los jurados han tenido en cuenta "su intensa, prolongada y generosa dedicación a la enseñanza de los jóvenes", especialmente plasmada en el "Centro para o estudio das artes", en Belgais (Portugal).

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Das Rheingold
O Ouro do Reno

Prólogo em um acto sobre libreto de Richard Wagner
para a tetralogia Der Ring des Nibelungen (O Anel do Nibelungo).

Teatro Nacional de São Carlos
28 de Maio a 4 de Junho de 2006

Direcção musical Emilio Pomàrico
Encenação Graham Vick
Cenografia e figurinos Timothy O'Brien
Movimentos coreográficos Ron Howell
Desenho de luzes Peter Kaczorowski

Intérpretes
Wotan Stefan Ignat
Loge Will Hartmann
Fricka Judith Nemeth
Freia Tatiana Serjan
Erda Gabriele May
Donner Michael Vier
Froh Stefan Margita
Alberich Johann Werner Prein
Mime Peter Keller
Fasolt Keel Watson
Fafner Friedemann Röhlig
Woglinde Andrea Dankova
Wellgunde Dora Rodrigues
Flosshilde Cornelia Entling

Orquestra Sinfónica Portuguesa

Nova Produção
Teatro Nacional de São Carlos



Der Ring des Nibelungen, São Carlos 2006-2008

__________
Story of the opera.
Site extenso sobre Wagner.
Wagner archive.
Teutonic Wagner.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

A terminar o Ciclo de Piano Gulbenkian
Sequeira Costa
Piotr Anderszewski


Sequeira Costa
29 de Maio de 2006


Domenico Scarlatti

Sonata em Dó Maior
Sonata em Mi Maior

Sonata em Ré Maior

Wolfgang Amadeus Mozart
Sonata em Sol Maior, K.283

Bach / Busoni
Chaconne da Partita Nº. 2 em Ré menor, BWV 1004

Fryderyk Chopin

Barcarola, em Fá sustenido Maior, op.60
Sonata em Si bemol menor, op.35



Piotr Anderszewski
1 de Junho de 2006

Wolfgang Amadeus Mozart
Fantasia em Dó menor, K.475
Sonata em Dó menor, K.457

Ludwig van Beethoven
Bagatelas, op.126

Johann Sebastian Bach
Suite Inglesa Nº. 6, BWV 811

quarta-feira, 26 de abril de 2006

A Gaivota de Anton Tchecov
Teatro do Bairro Alto



Nos últimos dias, até 7 de Maio.

Anton Pavlovich Tchekov

A GAIVOTA

(Comédia em Quatro Actos, 1896)


Apresentação, Ficha técnica, Este espectáculo,
Fotografias, Textos de Apoio
.


Tradução Fiama Hasse Pais Brandão

Encenação Luis Miguel Cintra

Cenário e figurinos Cristina Reis

Desenho de luz Daniel Worm d'Assumpção

Distribuição Dinis Gomes, Duarte Guimarães, Luis Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, José Manuel Mendes, Manuel Romano, Márcia Breia, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Rita Loureiro, Tânia Trigueiros, Teresa Sobral, Tiago Matias


Numa quinta russa do fim do século XIX o jovem escritor filho de uma conhecida actriz apresenta à família a sua peça de teatro representada pela rapariga que ama. O espectáculo é incompreendido pela sua mãe em férias e pelo seu amante, escritor de sucesso. A rapariga apaixona-se pelo escritor, decide fugir para Moscovo e ser actriz. O rapaz fica no campo com o grupo de personagens que povoam a sua vida: um tio reformado, o administrador da quinta e a mulher, a filha infeliz de ambos, um professor de aldeia, um médico de província, os criados. Dois anos depois a mãe e o amante voltam. O rapaz vive a escrever. A sua antiga amada volta também, às escondidas: é uma actriz sem sucesso, vive sozinha, teve um filho do escritor, que morreu. O reencontro é difícil. O rapaz suicida-se. E a vida continua.

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Salomé de Richard Strauss


Salome (1905), a mais conhecida e polémica ópera de Richard Strauss (1864 - 1949), é dada em versão de concerto no Grande Auditório Gulbenkian. Wild(e) Salome.

Ópera em 1 Acto, em versão de concerto.
Gulbenkian, 27 e 29 de Abril de 2006.

Orquestra Gulbenkian

Lawrence Foster (maestro)

Mlada Khudoley (soprano) - Salomé
Donald Litaker (tenor) - Herode
Ute Walther (meio-soprano) - Herodiade
Esa Ruuttunen (barítono) - Jokanaan
Stephan Rugamer (tenor) - Narraboth
Nadine Weissmann (meio-soprano) - Pagem
Joan Cabero (tenor) - Judeu

Reinhard Hagen (baixo) - 1º Nazareno
Laurent Chauvineau (tenor) - 2º Judeu, Escravo
José Coronado (tenor) - 3º Judeu, 2º Nazareno

Marcos Santos (tenor) - 4º Judeu
Luís Rodrigues (barítono) - 5º Judeu, 1º Soldado
Manuel Rebelo (barítono) - Capadocio

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Às referências de desejo carnal, incesto e necrofilia, retiradas da peça homónima do “decadente” Oscar Wilde que serviu de base para o libreto, Strauss juntou uma linguagem extremamente dissonante, situada no limite da tonalidade. A montagem da obra chegou a ser censurada por motivos morais. Foi recebida com espanto nos principais teatros europeus, fazendo com que o público desse pulos nas suas cadeiras como se tivesse sido empurrado por molas. Assim foi, pelo menos acreditando na descrição dada por um dos críticos lisboetas à data da estreia portuguesa da obra, ocorrida em 1909.
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Enredo.
Libreto.

Salome, Wilde.
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Overnight the one act opera about the Princess of Judea brought Richard Strauss world recognition as an opera composer. He called his revolutionary work "a scherzo with fatal consequences ".

"Eastern flavour and glowing sun"

For some time Strauss had been fascinated by the idea of an oriental opera with real, "Eastern flavour and glowing sun". But instead of using a draft libretto by the author Anton Lindner, Strauss composed the opera basing it directly on Wilde’s play. The composer had seen a 1903 performance of it at Max Reinhardt’s Kleinem Theater in Berlin and Strauss undertook the necessary adjustments and cuts himself.

"A unique experiment"

The drama was further accentuated by the its shortening and by being set to music. The young princess lusts after the imprisoned prophet Jochanaan and when he rejects her advances she dances for her stepfather Herodes and in return demands the prophet’s head which she proceeds to kiss before Herodes has her killed. ‘The desire to achieve the most pointed role characterisation’ led Strauss to the boundaries of traditional harmony. He most likely suspected that he was making demands that would prove too much for conservative contemporaries. As he played his father a foretaste of the new work on the piano Franz Strauss exclaimed: "God, this nervous music! It’s as if your trousers were full of crawling beetles!" Cosima Wagner said, "This is madness!"

Difficulties with the censor

Initially the singers, too, were either incapable or unwilling to perform Salome. Yet the work was a notable public success at its Dresden premiere on 9 December 1905 under the baton of Ernst von Schuch though this contrasted with the damning reviews of most newspapers. Within two years Salome had appeared on 50 stages although in some places it had to contend with the censor. The concerns of Emperor Wilhelm II were only allayed when a promise was made that at the end of the first performance in Berlin the star of Bethlehem would be visible; in New York and London the opera was banned at first; at the Vienna Court Opera the director, Gustav Mahler, tried in vain to get permission to mount the first performance in the Austrian capital, which did not take place until 1918. By that time Salome had established itself as one of the most exciting masterpieces of the operatic repertoire.

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Salomé: alegoria do fin de siècle

I. O polimorfismo de Salomé em finais do séc. XIX

Salomé, a adolescente que exigira a cabeça do profeta João Baptista nos evangelhos é, por excelência, a alegoria feminina do fin de siècle. Radiosa num polimorfismo surpreendente, ela multiplica-se em referencias literárias e pictóricas, como um verdadeiro ideograma e depois como mito da modernidade. Mito tão imponente e profundo como o seu contemporâneo Édipo freudiano. Para o esteta, a fascinação do poder transgressivo de Salomé é paralela à sedutora aura da patologia histérica. Inúmeras representações da bela e transgressora princesa surgem em todas as artes e expressões na transição do século XIX para o século XX. Se a jovem filha de Herodias é simultaneamente inocente e cruel, mas acima de tudo passiva, nas narrativas bíblicas, ela torna-se, em finais do século XIX, histérica e voluntária. Salomé nunca fora tão autónoma e determinada como sob o olhar de Oscar Wilde. Refira-se que por essa ocasião, na Alemanha, a peça do escritor irlandês esteve mais tempo em cena do que qualquer outra peça inglesa, incluindo as de Shakespeare. Salomé assume a sua corporalidade, como jovem dançarina exótica, como sedutora, e desafia, pela crueldade da sua exigência, todo o princípio social e ético.

II. Salomé de Richard Strauss

Richard Strauss estreia Salomé em Dresden, a 9 de Dezembro de 1905, causando um escândalo que marcará a história da ópera de forma categórica e irreversível. Com Elektra, criada quatro anos mais tarde, sobre um libreto de Hugo von Hoffmannsthal, fica completa a designada componente “negra” das obras do compositor. O conto de Oscar Wilde, inspirado nas narrativas dos evangelhos segundo S. Marcos, S. Lucas e S. Mateus, e redigido directamente em francês, provocara manifestos impulsos de indignação, mas também de curiosidade. Strauss encontra a obra literária em 1901, em língua alemã, e decide empreender duas versões originais desta ópera: alemã e francesa. A responsabilidade pelo libreto alemão caberá a Hedwig Lachmann.

A composição deste drama musical iniciar-se-á ao longo do último trimestre de 1904 e terminará no Verão de 1905. Salomé é uma obra inovadora: escrita em um só acto, que se dispõe em quatro cenas, desenrola-se de clímax em clímax, num fôlego dramático especialmente potente e ininterrupto. A tensão pulsa desde os primeiros acordes até à brutal morte da princesa no final, ao longo de cerca de noventa minutos de intensidade dramática. Abstendo-se de uma preparação musical que integre o público no espírito do drama, ou seja, eliminando o conceito formal de abertura, entra directamente na acção exigindo uma disponibilidade imediata do espectador para se confrontar com as dimensões terríficas da componente mais densa e interna do ser.

III. A tragédia de Salomé, em Strauss

Numa sumptuosa festa no palácio de Herodes, Narraboth, jovem sírio, não consegue desviar o seu olhar de Salomé. Indiferente à discussão gerada entre os soldados, e ignorando as advertências feitas pelo Pajem, que o incita a não fixar os seus olhos na jovem, Narraboth envolve-se cada vez mais na aura sedutora da filha de Herodias. A princesa deambula pelo pátio do palácio experimentando uma sensação de solidão e de dor, reflexo da circunstância disfuncional em que se encontra integrada. O seu pai fora assassinado pelo próprio irmão, Herodes Antipas, com a cumplicidade de sua mãe, Herodias e com o propósito, atingido, de ocuparem abusivamente o trono do falecido tetrarca.

Os olhares de Herodes recaem sobre a adolescente, que o extasia, e esta evade-se procurando algum recolhimento, quando escuta uma voz que profere críticas aos comportamentos pecaminosos do casal homicida, vaticinando trágicos acontecimentos. Salomé, fascinada pela voz e pelas palavras que escuta, expressa o desejo de conhecer este homem santo, profeta enclausurado na cisterna do palácio por ordem do tetrarca. Narraboth, induzido pela princesa a libertar momentaneamente o santo, de modo a que ela possa interpelá-lo, angustiado, suicida-se, pressentindo a tragédia. Salomé seduz o profeta, envolve-o com imagens de desejo e paixão, porém, Iokanaan não suporta o olhar da princesa, repudia-a friamente e retorna à cisterna.

Entretanto, Herodias e o tetrarca procuram Salomé. Herodes experimenta uma sensação de estranheza e inquietude quando tropeça no cadáver de Narraboth, enquanto a rainha se sente injuriada e vexada pelas ousadas predicações do profeta. Herodes convida então a sua sobrinha a partilhar a sua refeição e a dançar para ele. Após uma primeira recusa, Salomé acede ao seu pedido, prevendo uma recompensa que não desvenda senão no final da “dança dos véus”. A jovem exige então que lhe seja entregue a cabeça de Iokanaan numa bandeja de prata. Aterrorizado, o tetrarca tenta dissuadi-la, sem êxito. Cede, e ordena a execução do Baptista.

Salomé estabelece um longo “monólogo” de amor com a cabeça ensanguentada do profeta, beijando apaixonadamente os lábios do homem que a repudiara. Herodes ordena a morte de Salomé.

IV. Sedução e morte

Salomé de Richard Strauss é um intenso canto de sedução e de morte. A solidão, ansiedade, dor e beleza da jovem filha de Herodias, a sua irremediável sensação de perda, magnetizará todo o ambiente que a rodeia e exortará toda uma série de peripécias trágicas que conduzirão à morte de dois homens íntegros, o bravo capitão Narraboth e o destemido profeta Iokanaan (São João Baptista), e à sua própria, precoce, aniquilação.

Salomé seduz porque é utilizada em muitos casos como uma representação da diferença, da alteridade, mito da criatividade artística. Um “outro”, estranho e belo, dominador num jogo com o poder da lenda, com a exegese das origens, nos limites da transgressão. Questionando os modelos do seu núcleo social ela desafia-os. A sedução segue, neste caso, uma inflamada progressão sensorial retórica – do olhar ao toque. No momento em que Salomé retira o último véu, numa dança vertiginosa, ela despoja-se do artifício e da ornamentação que a protegem, e torna-se na apoteose da imagem duma linhagem de mulheres tão fascinantes quão perigosas, espelho da sedutora original, Eva.

V. Histeria

A leitura da peça de Oscar Wilde por Richard Strauss retraça uma incursão na era do modernismo através de uma paráfrase da histeria, síndroma que marca as últimas décadas do Oiticentos, mas que proclama, com clarividência, a estética do início do século XX. Freud e Breuer esperarão a chave da parte dessa paciente de excepção, para conseguir compreender o seu território: será ela a abrir as portas de uma revolução mental. Este desequilíbrio confere-lhe um poder inaudito, que agirá na vertente mais frontal das narrativas humanas, como vector compulsivo de descoberta e ferocidade, salto intrépido para o desconhecido. Um desconhecido interno, que escapa aos domínios da lógica e da racionalidade e, por isso, particularmente aterrador.

Espelho das conquistas e expectativas da psicanálise do fin de siècle, ecrã de uma perturbação social, Salomé é a ponta do icebergue da degenerescência do sistema social espelhado na arte.

Na trama de Salomé, encontramo-nos em face do protótipo analítico original: Salomé, sujeito histérico, repercute uma recordação de infância recalcada – o homicídio de seu pai. A princesa “sofre” do passado, o seu comportamento é condicionado pelo acontecimento traumático. A recordação é devastadora.

A princesa adolescente põe então em cena o regresso de uma figura masculina omnipotente, e projecta uma vontade proibida e virtualmente impossível de ser desejada por este outro, imagem paterna reconstruída – Iokanaan. O desequilíbrio instala-se, o destino fixa-se, no momento em que o profeta recusa olhá-la. A negação de retribuição do desejo completa a caracterização do discurso histérico e espoleta o trágico desenlace. A impossibilidade de relacionamento entre Salomé e o profeta evidencia a aniquilação da sua dimensão futura.

VI. Nova estrutura dramática

Ao contrário do personagem omnipotente, que se ergue perante os obstáculos, que combate o inimigo intrepidamente, que morre com honra, salvaguardando as regras de bom funcionamento social, ao contrário do herói que se basta a si próprio, que é construído sobre uma essência dominada pela lógica racional, pelos desígnios de uma atitude positiva, encontramos figuras “decadentes”, perdidas na sua “humanidade”, nas suas imperfeições, nos seus traços de insuficiência ou mesmo de crueldade. A axiomática crueldade do ser.

Doentes da sociedade ou índices de uma sociedade doente, os personagens tentam elevar-se das novas angústias que lhes são geradas pela viragem do século. As estruturas de representação, na nova ópera, podem compreender-se como exteriorizações de conflitos inerentes ao eu. Procede-se à dramatização de um combate interno, onde se entrecruzam as instabilidades impregnadas por pulsões de eros e thanatos, no conteúdo como na forma.

Emerge assim um novo face a face com entes transgressivos, emissores de desejos primários: estranhos e violentos – dotados de comportamentos excessivos, que transbordam a normalidade, inseridos em ambientes decadentes. Estas figuras que surgem como essências musicodramáticas, fazem emergir toda a vitalidade de uma alteridade interna. As técnicas literárias e musicais tornam-se cúmplices na edificação de introspecções, através de densas exegeses sobre a violência da dimensão oculta do Ser.

Um ímpeto de verdade dramática desenrola, no drama lírico, uma sequência inesperada de elementos cruéis, em linhas de tensão que se intensificam até ao derradeiro instante da obra.

“Que os capitães de guerra a trespassem com as suas espadas, que a esmaguem entre os seus escudos”, é o que profetiza o santo homem Iokanaan para Salomé, e é assim que ela padecerá, no final da ópera de Strauss.

PGR - FCG

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SINOPSE

A acção decorre no grande terraço do palácio de Herodes Antipas, Tetrarca da Judeia, na cidade de Tiberádes, na Galileia, por volta do ano 30 d.c.

Fora da sala de banquete encontra-se o jovem capitão da guarda, Narraboth, um sírio, que olha ardentemente para a sala onde Salomé está sentada. O Pajem, consciente das tendências neuróticas desta, procura, em vão, avisá-lo, mas Narraboth, embevecido de Salomé, não pensa noutro assunto.

Está uma noite abafada. A conversa da guarda é interrompida por barulho provindo da sala. De repente, ouve-se uma voz alta e profunda, como vinda de um túmulo, que assusta mesmo estes rudes militares. Segundo algumas pessoas, esta voz é a de um louco, enquanto outras acham tratar-se de um profeta. Seja qual for a verdade, é um homem de indomável coragem, que não tem medo de enfrentar o Tetrarca e Herodias, sua mulher, com um discurso de terrível agudeza, apontando os seus pecados e exigindo arrependimento. Chama-se Iochanaan. A qualidade da sua voz deve-se aos ecos da sombria cisterna onde está preso.

Salomé, perturbada, sai para o terraço. Herodes tem olhado para ela de modo pouco próprio, pois ele é o marido de sua mãe. Para além disso, a princesa não suporta mais os gritos e as discussões dos estrangeiros – judeus, egípcios e romanos.

Salomé é manchada pelo pecado de sua mãe, que assassinara o marido para poder casar-se com Herodes. Um ambiente que valoriza o desejo e o prazer envenenou os seus sentimentos e pensamentos. Agora, ao ouvir o Profeta, surge nela o anseio de ver este homem que já ouviu amaldiçoar sua mãe por causa dos seus pecados e de quem, apesar de preso, Salomé sabe que o Tetrarca tem medo. O que ela deseja é completamente proibido, mas consciente do poder que exerce sobre Narraboth, Salomé convence-o a trazer Iokanaan à sua presença. A estranha e escura figura deste, extraordinariamente nobre, apesar dos farrapos do seu cativeiro, incita os desejos perversos de Salomé. Esta aplica todos os seus poderes sensuais numa tentativa de o seduzir, mas apenas conseguindo que o Profeta lhe aconselhe arrependimento. Esta resposta apenas aumenta a sua determinação. Narraboth, desesperado pelo comportamento da princesa, suicida-se com a sua própria espada, caindo inerte o seu corpo entre Iokanaan e Salomé, sem qualquer efeito nesta. Consternado pela imoralidade da rapariga, o Profeta incita-a a procurar o único que a pode salvar, o homem da Galileia. Porém, percebendo que as suas palavras não têm
qualquer efeito, amaldiçoa-a, horrorizado, e retira-se para a cisterna.

Herodes, Herodiade e o seu cortejo saem para o terraço. Enquanto Herodiade não teme nada, Herodes sofre sob o peso dos seus crimes, e apenas o seu pecaminoso desejo para com a sua enteada o anima. Mas Salomé não se interessa por ele. Herodiade sente-se cheia de desprezo por ele e pela sua filha, e eivada de ódio contra o Profeta, cuja voz se ouve novamente, denunciando veementemente o comportamento de Herodiade. Herodes, contudo, receia o Profeta e, querendo livrarse de pensamentos mórbidos, pede a Salomé que o divirta dançando. Salomé recusa várias vezes, até ao momento em que Herodes lhe propõe a oferta de um prémio, qualquer um que ela deseje. Salomé executa a sua dança dos sete véus.

Herodes pergunta-lhe qual será o seu prémio. Induzida em parte pela mãe, mas incitada igualmente pelo seu próprio desejo de vingar a sua paixão rejeitada, exige a cabeça do Profeta. Herodes oferece-lhe metade do seu reino, a maior esmeralda do mundo, tudo o que ela quiser, mas nunca a cabeça do Profeta. Salomé recusa, exigindo o cumprimento da sua promessa. Angustiado, Herodes sucumbe. O carrasco desce à cisterna e Iokanaan é degolado. A cabeça é apresentada a Salomé numa salva de prata. Iokanaan recusara, em vida, os seus lábios. Agora Salomé vingase, beijando a sua boca. Enojado com o espectáculo, Herodes ordena: “Matem
aquela mulher!” Os soldados avançam e esmagam-na com os seus escudos.

Notas e sinopse de
David Cranmer

FCG

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Lauriane de Augusto Machado


Augusto Machado (1845-1924)

Ópera em quatro actos e seis quadros sobre poema de A. Guiou e Jean-Jacques Magne, segundo o drama de Georges Sand e Paul Meurice, Les Beaux Messieurs de Bois-Doré. Ópera dedicada a D. Luiz, Rei de Portugal.

T. N. de São Carlos
19 a 26 de Abril de 2006

Edição crítica de João Paulo Santos, com a colaboração de Paula Coelho da Silva

Direcção musical Donato Renzetti
Encenação Mauro Avogadro
Coreografia Ron Howell
Cenografia e figurinos Francesco Zito
Desenho de luzes Bruno Ciulli

Intérpretes
Lauriane Katia Pellegrino
Mario Marina Comparato
Jovelin Kostyantyn Andreyev
Marquis de Bois-Doré Leo An
Comte d'Alvimar José Fardilha
Adamas Paul Medioni
Guillaume D'Ars Carlos Guilherme
Clindor Luís Castanheira
Um Oficial David Ruella
Um Jardineiro Carlos Pocinho

Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
maestro titular Giovanni Andreoli

Com a colaboração da
Companhia Nacional de Bailado

Nova Produção
Teatro Nacional de São Carlos
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Música manuscrita na BN.
PORBASE - Base Nacional de Dados Bibliográficos:
Augusto Machado
A. Guiou
Jean Jacques Magne

Augusto Machado e as operetas da época da «geração de 70»
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Grand opéra em quatro actos e seis quadros de Augusto Machado
Libreto: sobre o poema de A. Guiou e Jean-Jacques Magne, segundo o drama de Georges Sand e Paul Meurice, Les Beaux messieurs de Bois-Doré.
Criação: Marselha, Grand Théâtre de Marseille, 9 Janeiro 1883

A primeira representação da peça de Paul Meurice Les Beaux Messieurs de Bois Doré, adaptação teatral do romance homónimo de Georges Sand, teve lugar no Théâtre de l'Ambigu Comique, Paris, a 26 de Abril de 1862, e revestiu-se de um enorme êxito. Seguiram-se noventa e cinco representações no Théâtre National de l'Odéon, coroadas por uma entusiástica recepção da crítica.

Após terem recusado o projecto de Théophile Semet, o qual pretendia criar uma opéra comique sobre a história da família Bois-Doré, Sand e Meurice autorizaram Augusto Machado a utilizar a peça para a criação de uma grand opéra. A comunicação entre a autora do romance, o dramaturgo e o compositor foi realizada em grande parte através do libretista, Jean-Jacques Magne. Lauriane foi estreada no Grand Théâtre de Marseille em 9 de Janeiro de 1883, e cativou o público e a crítica, que reconheceu distintas qualidades musicais em Augusto Machado. Pouco mais de um ano após a estreia francesa - 1 de Março de 1884 -, a grand opéra em quatro actos e seis quadros de Machado é apresentada no Teatro de S. Carlos, traduzida para a língua italiana. Lauriana teve doze representações e recebeu efusivos comentários da imprensa portuguesa. Esta recepção teve honras de reprise, no ano seguinte, facto que, relativamente a uma ópera portuguesa, não sucedia em S. Carlos há mais de seis décadas. O sucesso concedeu ao seu compositor um estatuto invulgar na sociedade portuguesa. A ópera foi dedicada ao Rei Luiz I que, não podendo deslocar-se ao Teatro, a escutou no Palácio da Ajuda através de telefones instalados pela companhia de Lisboa.

Quando a intriga teatral se transformou em ópera, a história do Marquês de Bois Doré e da sua família decresceu de importância em benefício da emergência de uma sedutora figura central, Lauriane, e do seu relacionamento amoroso com o novo herói, Jovelin. A ópera convida-nos a conhecer a marquesa Lauriane, cujo esplendor congrega as atenções de todos os personagens que a rodeiam. A bela fidalga deverá escolher um marido por entre os convidados da festa que Bois-Doré organiza em sua homenagem. A sua atenção dirige-se, no entanto, para um jovem músico, proscrito, que atravessa inadvertidamente os jardins do palácio acompanhado de uma criança - Mario. A reciprocidade da paixão afirma-se. Enfim, no contexto de uma disputa com o seu adversário D'Alvimar, o músico desvenda a sua verdadeira identidade: Giovellino, Conde de Florença. Entretanto, Mario, que viajara consigo ao longo dos anos revela-se como o sobrinho e herdeiro, há muito desaparecido, do estimado Bois-Doré.

PGR (TNSC)

terça-feira, 11 de abril de 2006

Mikhail Pletnev, piano



Gulbenkian
Terça, 18 Abril 2006

Wolfgang Amadeus Mozart
Sonata para Piano Nº. 10, em Dó Maior, K.330
1. Allegro moderato
2. Andante cantabile
3. Allegretto

Sonata para Piano Nº. 12, em Fá Maior, K.332
1. Allegro
2. Adagio
3. Allegro assai


Piotr Ilitch Tchaikovsky
As Estações, op. 37bis

1. Janeiro: À lareira
2. Fevereiro: Carnaval
3. Março: Canto da cotovia
4. Abril: Campainhas
5. Maio: As noites brancas
6. Junho: Bacarola
7. Julho: Canto do ceifeiro
8. Agosto: A ceifa
9. Setembro: A caça
10. Outubro: Canto de outono
11. Novembro: Troika
12. Dezembro: Natal


Pletnev com a Orquestra Nacional Russa
em Março de 2004 no Coliseu de Lisboa.

terça-feira, 4 de abril de 2006

Paixão Segundo São Mateus, BWV 244
Johann Sebastian Bach


6 a 8 de Abril de 2006
(ainda disponível dia 8)

Coro Gulbenkian

Orquestra Gulbenkian
Coro Infantil da Academia de Música de Santa Cecília

Michel Corboz Maestro

Letizia Scherrer Soprano
Carlos Mena Contratenor
Andreas Karasiak Tenor (Evangelista)
Christoph Einhorn Tenor
Sebastian Noack Barítono (Pilatos)
Christian Immler Barítono (Cristo)

Matthias Spaeter Alaúde
Marcelo Giannini Órgão
Sophie Perrier, Rita Malão Flautas
Pedro Ribeiro, Nelson Alves Oboé, Oboé de amor, Corne inglês
Arlindo Santos Fagote
Maria Balbi, Bin Chao Violinos
Teresa Núncio, Maria José Falcão Violoncelos
Alejandro Erlich-Oliva Contrabaixo

Paixão Pascal
O espírito do cristianismo feito música, na Paixão segundo São Mateus, de J. S. Bach.
wikipedia

sexta-feira, 17 de março de 2006

Orquestra Sinfónica da Rádio da Baviera
Mariss Jansons

Joseph Haydn
Sinfonia Nº 94, em Sol Maior, A Surpresa

Richard Wagner
Tristão e Isolda: «Prelúdio» e «Liebestod»

Igor Stravinsky
O Pássaro de Fogo

... e a promessa de um grande concerto...
pela orquestra, pelo maestro e pelas peças,
três das obras orquestrais mais célebres de todos os tempos.

Coliseu dos Recreios, 21 de Março de 2006
Ciclo Gulbenkian grandes orquestras mundiais

quinta-feira, 16 de março de 2006

Schönberg, Hindemith e Corghi no São Carlos

ERWARTUNG Arnold Schönberg
«O que faço aqui, sozinha?. Nesta vida infinita. neste sonho sem limites e sem cores. visto o fim último da minha existência estar onde tu estavas. e todas as cores serem criadas pelos teus olhos. A luz chegará para todos. e para mim, sozinha na minha noite?»

Monodrama em um acto, op. 17, com libreto de Marie Pappenheim, para soprano e orquestra
Uma Mulher Brigitte Pinter


SANCTA SUSANNA Paul Hindemith
Uma dissertação sobre os limites entre o amor terreno e divino, o fervor da entrega passional e o êxtase da celebração religiosa, sobre o desejo de submissão total a uma força maior, a impulsos intrínsecos avassaladores que escapam a toda a tentativa de imposição de códigos e constrições racionalizantes. Religião e eros dispostos numa profunda interrogação sobre essências, contradições, pulsões e capacidades sacrificiais do ser.

Ópera em um acto sobre texto do drama homónimo de August Stramm, op. 21 (1921).
Susanna Tatiana Serjan
Klementia Brigitte Pinter
Freira Anciã Maria Luisa Freitas
Criada Leonor Seixas
Criado João Pedreiro



IL DISSOLUTO ASSOLTO Azio Corghi
«O futuro é um mar contido na concha das mãos de Deus, normalmente vai caindo sobre as nossas cabeças como o contínuo fluir de uma cascata, mas, de vez em quando, sempre há um pedacinho maior que se solta.» Leporello (lírico) a Masetto in Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido de José Saramago.

Ópera em um acto sobre a peça Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido de José Saramago.
Encomenda do Teatro alla Scala de Milão.
Don Giovanni Vito Priante
Commendatore Julian Rodescu
Leporello Gianfranco Montresor
Donna Elvira Sonia Bergamasco
Donna Anna Donatella Finocchiaro
Zerlina Chiara Muti
Manequim de D. Elvira Marco Lazzara
Don Ottavio Mirko Guadagnini
Masetto Luca Casalin

O Dissoluto Absolvido, muito bom: texto e música melhor que intérpretes.
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Direcção musical Marko Letonja
Encenação Andrea De Rosa
Cenografia e figurinos Alessandro Ciammarughi
Desenho de luzes Cesare Accetta
Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
maestro titular Giovanni Andreoli

TNSC - 18 a 26 de Março de 2006
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josesaramago.blogspot.com

quarta-feira, 15 de março de 2006

Festa da Música 2006
A Harmonia das Nações

A Europa Barroca
Direcção Artística René Martin
Co-Produção: CREA Nantes, M. Cultura e CCB

21, 22 e 23 de Abril 2006, CCB



Compositores
Alemanha
Johann Sebastian Bach ( 1685-1750)
Georg Philip Telemann (1681-1767)

Inglaterra
Georg Friedrich Haendel (1685-1759)
Henry Purcell (1659-1695)

Espanha
Manuel Blasco de Nebra (1750-1784)
Antonio Soler (1729-1783)

França
François Couperin (1668-1733)
Jean-Philippe Rameau (1683-1764)

Itália
Domenico Scarlatti (1685-1757)
Antonio Vivaldi (1678-1741)

Portugal
Carlos Seixas (1704-1742)
Francisco António de Almeida (1702-1755)

domingo, 5 de março de 2006

Secret, Cirque Ici – Johann le Guillerm


Artiste de cirque, équilibriste, dompteur, manipulateur et faiseur d’objets, johann Le Guillerm est un inventeur qui court l’aventure entre mystères scientifiques et poésie.

7 a 26 de Março de 2006, CCB

Secret est un cirque d’art et d’essai, un monde en soi, habité par un sorcier à l’âme tranquille. Tout nous envoûte dans Secret: la relation que cet homme de cirque seul en piste entretient avec la matière… il l’affronte, la séduit, la dompte ; le dialogue intime et muet que ce personnage, mi-diable, mi-chevalier, établit avec les objets; la complicité qu’il installe sous nos yeux avec d’étranges machines; le temps qui se dilate, s’étire et devient un allié précieux pour faire avec l’artiste un voyage au cœur des choses. Et si le secret de Johann Le Guillerm était de savoir nous conduire doucement à ce «point d’équilibre» auquel nous rêvons tous? Celui où nous serions enfin en accord avec le monde…

Un beau secret est toujours partagé. L’art corporel et spirituel, scientifique et poétique de Johann Le Guillerm semble se condenser dans le secret, ce mot qui désigne une chose réservée et qui résonne avec le verbe “se créer”.
Secretest d’ailleurs la cristallisation scénique d’une pensée en mouvement effectuée au sein de L’Observatoire que Johann Le Guillerm a mis en place au retour d’un tour du monde initiatique.
Manipulation d’objets créés ou détournés, Secret donne corps à des solos poétiques et troublants.
Il est le premier volet d’un projet nommé Attraction, qui en compte quatre: le spectacle Secret, une structure monumentale La Motte, un film, et un regard sur le projet La Trace. Sont présentés à la Villette: Secret, le prototype de La Motte et L’Observatoire.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Richard Goode, piano

Gulbenkian, 8 de Março de 2006

Recital com pouca garra e com pouca emoção. Após Bach em piano forte, verificámos Berg e Schonberg igualmente sem chama, para finalizar com Beethoven para todos, pensava o pianista mal disfarçando o enfado. Fraco quando comparado com o que ouvimos até agora no ciclo de piano da Gulbenkian.

Johann Sebastian Bach
Partita Nº. 2, em Dó menor, BWV 826
1. Sinfonia
2. Allemande
3. Courante
4. Sarabande
5. Rondeaux
6. Capriccio

De O Cravo bem Temperado:
. Prelúdio e Fuga em Fá Maior, BWV 880 (Livro II)
. Prelúdio e Fuga em Lá menor, BWV 889 (Livro II)
. Prelúdio e Fuga em Dó sustenido menor, BWV 849 (Livro I)

Partita Nº. 5, em Sol Maior, BWV 829
1. Preambulum
2. Allemande
3. Corrente
4. Sarabande
5. Tempo di minuetta
6. Passepied
7. Gigue


Alban Berg
Sonata para Piano, op.1


Arnold Schönberg
Seis Pequenas Peças para Piano, op.19
1. Leicht, zart (leve, delicado)
2. Langsam (lento)
3. Sehr langsam (muito lento)
4. Rasch, aber leicht (rápido, mas leve)
5. Etwas rasch (algo rápido)
6. Serh langsam (muito lento)


Ludwig van Beethoven
Sonata para Piano Nº 31, em Lá bemol Maior, op.11
1. Moderato cantabile molto espressivo
2. Allegro molto
3. Adagio ma non troppo – Allegro ma non troppo (Fuga)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Orquestra da Gewandhaus de Leipzig,
Riccardo Chailly

Gustav Mahler
Sinfonia Nº 7, em Mi menor
"Canção da Noite"

Gulbenkian, 4 de Março de 2006

É
de esperar o melhor da orquestra, do director...
e essencialmente de Mahler.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Iolanta, Pyotr Ilitch Tchaikovsky


Promete um bom espectáculo, esta última ópera de Tchaikovsky raramente representada, apesar de versão de concerto, com nomes de vulto como o maestro russo Vladimir Fedoseyev, director artístico e maestro titular da Orquestra Sinfónica Tchaikovsky da Rádio de Moscovo, e pelos solistas soprano Irina Lungu e tenor Piotr Beczala.


Deslumbrante a sensibilidade de Tchaikovsky para uma história aparentemente simples.

T. N. de São Carlos
24 a 27 de Fevereiro de 2006
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Ópera lírica em um acto com quatro cenas, com libreto de Modest I. Tchaikovski baseado na tradução de Zotov de A Filha do Rei René de H. Hertz.
Tempo: século XV.
Local: montanhas no sul de França.

Estreia em Portugal
versão de concerto

Direcção musical Vladimir Fedoseyev

Intérpretes
Iolanta Irina Lungu
Rei René Benno Schollum
Robert Andrey Breus
Vaudémont Piotr Beczala
Ibn-Hakia Pavel Kudinov
Alméric Algirdas Janutas
Martha Laryssa Savchenko
Bertrand Oleg Didenko
Laura Vita Vasilieva
Brigitte Tatiana Lipovenko

Orquestra Sinfónica Portuguesa

Coro do Teatro Nacional de São Carlos
maestro titular Giovanni Andreoli


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Ópera lírica em um acto de Piotr Ilitch Tchaikovski
Libreto: Modeste Tchaikovski segundo A filha do Rei René de Henrik Hertz
Criação: São Petersburgo, Teatro Mariinski, 18 Dezembro 1892

Quando A filha do Rei René, peça do dramaturgo dinamarquês Henrik Hertz, estreia em Moscovo, Piotr Ilitch Tchaikovski aspirava já à sua adaptação à cena lírica. O êxito que obtém, no final do ano de 1890, com a estreia da ópera-tragédia A Dama de Espadas, criada num fulgurante período de quarenta e quatro dias, proporcionar-lhe-á a encomenda, por parte do Teatro Imperial, de uma ópera e um bailado, com o propósito de serem estreados na mesma noite. Em Maio de 1892, ao regressar de uma bem sucedida digressão de concertos nos Estados Unidos da América, o compositor estabelece-se na sua residência nos domínios de Klin, que apresenta então as características ideais para a expansão das suas faculdades criativas. A sua estada nesta região, situada no percurso entre Moscovo e São Petersburgo, revelar-se-á especialmente prolífica. Aqui, o compositor poderá, finalmente, revelar a alma musical da fábula que o fascinava há já alguns anos, recorrendo de novo ao seu irmão, Modeste, para a concepção do libreto que dará origem à sua décima e última incursão no género lírico: Iolanta. A ópera lírica em um acto será criada juntamente com o bailado feérico sob um conto original de E. T. A Hoffmann O Quebra-Nozes, no Teatro Mariinski, São Petersburgo, a 18 Dezembro de 1892. O serão musical será reiterado onze vezes e cada uma das obras só será reposta após a morte do compositor. Iolanta surgirá em primeira instância nos teatros europeus - de Berlim e Viena - sob a direcção de Gustav Mahler.

Iolanta revela uma face do intrincado confronto entre o indivíduo e a sociedade, assunto que Tchaikovski deixa sobressair em muitas das suas obras, como reflexo da sua própria complexidade existencial. O argumento convida-nos a conhecer o universo de uma princesa cega cuja condição lhe fora sempre omitida. O seu pai, o Rei René, que lhe garantira um permanente afastamento da realidade através de uma existência de recolhimento no palácio e da convivência exclusiva com uma côrte que contribuía para lhe preservar a ilusão de que a humanidade era privada de imagens visuais, convocara agora um célebre médico mouro, Ibn-Hakia, que considera possível a recuperação da jovem princesa. No entanto, será a chegada de um forasteiro, o Conde de Vaudémont, que a levará a descobrir a verdade, e o amor que lhe conferirá a vontade e a coragem de se submeter ao tratamento e superar esta circunstância.

PGR - TNSC

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

  • Kilas, O Mau da Fita - Fonseca e Costa
  • Amelia - La La La Human Steps de Montreal, Édouard Lock
    ... coisas boas na TV
  • RTP1, 23 de Fevereiro de 2006, 23:15

    Kilas, O Mau da Fita
    Portugal, 1976.

    Rui Tadeu, aliás Kilas, uma "fraca" figura entre um mundo marginal...

    De memórias suadas, carne mole, medos medíocres, vícios e nicotina, surge Kilas - aturdido pela pequenês do físico, tacão alto a deitar figura, de arrogância por medida.

    Entre tipos marginais e mitos precários de uma farsa passional, eis a criatura mais popular e característica deste fil
    me português. Estilizada por José Fonseca e Costa em Kilas, o Mau da Fita - um dos maiores sucessos no pós-25 de Abril.

    RTP1, 23 de Fevereiro de 2006

    Autoria: Fonseca e Costa e Sérgio Godinho

    Realização: José Fonseca e Costa

    Com: Mário Viegas, Lia Gama, Luís Lello, Lima Duarte, Milú, Paula Guedes, Natalia Do Vale, Tony Morgon
    ________________________________________
    2:, noite de 26 para 27 de Fevereiro de 2006, 00:30

    Amelia
    1980

    Um espectáculo fascinante, um bailado diferente, um dos mais consagrados coreógrafos do mundo

    Criada por Édouard Lock em 1980 a companhia La La Human Steps de Montreal reinventa a dança contemporânea. "Amélie" é bem a prova disso.

    Um bailado fascinante onde o coreógrafo elabora uma nova forma de dança, através de uma linguagem gestual original que exprime todas as emoções humanas, desde o erotismo, a paixão, a tristeza e o amor.

    Um bailado de cortar a respiração, amplamente premiado e cuja banda sonora original para violino piano e voz combina com cinco dos temas mais famosos de Lou Reed, criados para o Velvet Underground, reafirma Edouard Locke como um dos maiores coreógrafos do mundo!...

    sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

    BES Photo 2005

    Centro Cultural de Belém

    até 5 de Março de 2006

    José Luís Neto (vencedor)
    António Júlio Duarte
    José Maçãs de Carvalho
    Paulo Catrica

    quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

    Todos os que caem, Samuel Beckett

    Teatro da Comuna

    Até 1 de Abril de 2006

    Há cem anos nascia um dos mais importantes nomes do teatro mundial. Há cinquenta, Samuel Beckett escrevia "Todos os que caem", um retrato, com humor, das misérias de quem chega "ao extremo da dificuldade de existir".

    A história, encenada por João Mota, desenrola-se a partir de Maddy, a esmagadora Mrs. Rooney, que aguarda a chegada do marido na estação de comboios. Em apenas um acto, a peça é o trajecto desta mulher, envelhecida e doente, mas conformada com a existência.

    Maria do Céu Guerra é esta figura amarga, desconcertante, irónica, comovente, trágica. Mais que gorda. Mais que idosa. "É uma pessoa disforme do ponto de vista físico, é casada com um cego e são os desesperados. Chegaram ao extremo da dificuldade de existir", diz a actriz.

    "Todos os que caem" mais não é do que "uma metáfora sobre o ser humano, uma metáfora sobre nós (...) que muitas vezes nos perguntamos qual é o sentido da vida", explica Maria do Céu Guerra.

    O palco é um verdadeiro estúdio de rádio, ou não fosse esta uma peça escrita por Beckett para rádio. Na Comuna, cada representação é gravada e ao movimento juntam-se sons criados com a ajuda dos mais diversos utensílios de cozinha.

    "Todos os que caem" é uma das iniciativas portuguesas que comemoram o centenário do nascimento de um dos maiores dramaturgos do Teatro do Absurdo e vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1969.

    segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

    Quarteto Artemsax

    Concertos Antena 2 - «Entre Paredes»

    Quarteto de Saxofones de Palmela
    Centro Cultural de Belém
    13 de Fevereiro de 2006

    “Entre Paredes” é um espectáculo ambicioso que aborda a música de Carlos Paredes de uma forma muito peculiar na procura da identidade nacional, levando este grupo a fundir a capacidade tímbrica e sonora que caracteriza o quarteto de saxofones e o inigualável timbre da guitarra portuguesa com outras manifestações artísticas, como o teatro e a dança, que enriquecem a singularidade deste espectáculo.

    Saxofone soprano: João Pedro Silva
    Saxofone alto: João Pedro Cordeiro
    Saxofone tenor: Rui Costa
    Saxofone barítono: Rita Nunes

    Convidados:

    Coreografia e dança: Rita Galo e Nuno Gomes
    Dramatização: Ana Brandão

    Participação especial
    Guitarra portuguesa: Paulo Soares

    Autoria: Quarteto ARTEMSAX
    Música: Carlos Paredes
    Arranjos: (exclusivos do Quarteto Artemsax): José Condinho e Pedro Marques

    sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

    Il Barbiere di Siviglia, Rossini


    T. N. de São Carlos, 8 a 16 de Fevereiro

    Gioachino Rossini


    Ópera bufa em dois actos, com libreto de Sterbini baseado em Beaumarchais.

    Direcção musical Jonathan Webb
    Encenação Emilio Sagi
    Cenografia Llorenç Corbella
    Figurinos Renata Schussheim
    Desenho de luzes Eduardo Bravo

    Intérpretes

    Conte d'Almaviva
    Marius Brenciu
    Mário João Alves

    Bartolo
    Bruno Praticò
    Filippo Morace

    Rosina
    Kate Aldrich
    Natalia Gavrilan

    Figaro
    Franco Vassallo
    Luís Rodrigues

    Basilio
    Enrico Iori

    Fiorello
    Luís Rodrigues
    Diogo Oliveira

    Berta
    Elvira Ferreira


    Orquestra Sinfónica Portuguesa

    Coro do Teatro Nacional de São Carlos
    maestro titular Giovanni Andreoli


    Nova Produção
    Teatro Real de Madrid
    Teatro Nacional de São Carlos


    Grande divertimento com um bom elenco.
    ____________________
    O enredo e a música
    Biografia do Compositor
    Contexto Histórico
    Libretto

    quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

    Nikolai Lugansky, piano

    "Um pianista de uma imensa fluência técnica e qualidade musical inata". Gramophone

    Gulbenkian, 7 de Fevereiro de 2006

    Ludwig van Beethoven
    Sonata Nº 16, em Sol Maior, op.31 nº 1

    César Franck
    Prelúdio, Coral e Fuga

    Fryderyck Chopin
    Prelúdio, em Dó sustenido menor, op.45
    Sonata Nº 3, em Si menor, op.58

    O regresso de Nikolai Lugansky a Portugal é, sem dúvida, um dos momentos mais esperados da presente temporada de música. O extraordinário pianista apresentar-se-á em recital com um programa que inclui obras de Ludwig van Beethoven, César Franck e Fryederyck Chopin. Representante da nova geração de músicos russos, este artista de excepção tem revelado um singular talento, reconhecido e aclamado no mundo inteiro.

    Dos tempos da descoberta do seus dotes musicais precoces pelos seus pais, refere-se a curiosidade de, conforme relata o próprio pianista, ter apenas cinco anos quando tocou, pela primeira vez uma sonata de Beethoven. O mais surpreendente é que a tocou de memória e sem nunca ter aprendido a ler uma partitura. Apenas a tinha antes escutado.

    Lugansky formou-se na Escola Central de Música de Moscovo e no Conservatório Tchaikovsky, tendo como mentora a não menos famosa pianista Tatiana Nikolaïeva. Em 1994, venceu o prestigiado Concurso Tchaikovsky, um dos numerosos prémios com que tem sido distinguida a sua carreira.

    Lugansky é hoje em dia um dos mais famosos pianistas russos, continuador de uma tradição lendária que ele próprio contribui para manter viva através dos seus concertos nas principais salas internacionais, da sua carreira discográfica e também através da docência. É, ainda, um artista único, cuja sensibilidade e requinte interpretativo transcendem o seu completo domínio técnico.

    quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

    Orquestra de Câmara da Europa
    András Schiff (piano, direcção)


    Gulbenkian, 6 de Fevereiro de 2006

    O repertório a executar centrar-se-á na abordagem de tipologias sinfónicas por três importantes compositores cuja carreira se desenrolou no espaço austro-húngaro. Enquanto que Beethoven e Schubert desenvolveram a sua carreira na capital do império, Dvorák centrou a sua actividade no território actualmente designado por República Checa, tendo sido um importante codificador de um tipo específico de nacionalismo musical.

    Franz Schubert
    Sinfonia Nº 5, em Si bemol Maior, D.485

    Antonin Dvorák
    Concerto para Piano, em Sol menor, op.33

    Ludwig van Beethoven
    Sinfonia Nº 2, em Ré Maior, op.36

    Concerto magnífico, boas peças e excelentes interpretação e direcção.


    András Schiff

    Highlights in the life of the
    Chamber Orchestra of Europe

    In 1986 Deutsche Grammophon's recording of Rossini's comic opera 'Viaggio à Reims' conducted by Claudio Abbado wins the Orchestra's first Gramophone 'Record of the Year' award.
    The COE is presented with its second Gramophone 'Record of the Year' award in 1988 for Deutsche Grammophon's Schubert symphony cycle conducted by Claudio Abbado.
    Five top European prizes are awarded in 1989 for Deutsche Grammophon's recording of Schubert's opera Fierrabras, with the COE again conducted by Claudio Abbado.
    1991 sees the International Mozart Festival commemorating the 200th anniversary of the death of the composer launched with COE concerts throughout Europe conducted by Sir Georg Solti.
    With Nikolaus Harnoncourt the COE is chosen to perform Mozart's last three symphonies in Vienna on the anniversary of his death.
    A six-part series on the Chamber Orchestra of Europe is broadcast on UK television.
    Gramophone votes as '1992 Record of the Year' Teldec's recording of the Beethoven symphony cycle conducted by Nikolaus Harnoncourt, and it goes on to win every other major international award.
    The Salzburg Festival opens with Nikolaus Harnoncourt conducting Beethoven's Missa Solemnis.
    Claudio Abbado and the COE are invited to launch the bi-centenary Rossini Opera Festival in Pesaro, birthplace of the composer.
    COE Leader Marieke Blankestijn's recording with the COE of Vivaldi's 'Four Seasons' is described in Gramophone as their first choice.
    The Orchestra's two complete cycles of the Beethoven symphonies conducted by Nikolaus Harnoncourt at the 1994 Salzburg Festival are described unanimously as 'superlative', 'impeccable', 'unparalleled'.
    In 1995 the 75th anniversary season of the Salzburg Festival opens with performances of Mozart's Marriage of Figaro conducted by Nikolaus Harnoncourt.
    The Orchestra's recording of Cosi fan tutte is described in The Times as 'eclipsing all other recent versions'.
    Standing ovations at Carnegie Hall reward Nikolaus Harnoncourt and the COE when they perform the complete Beethoven symphony cycle in the autumn of 1996.
    Claudio Abbado conducts Schubert symphony cycles at the Salzburg and Berlin Festivals.
    Nikolaus Harnoncourt conducts Schubert's opera Alfonso & Estrella at the Vienna Festival, and two complete Brahms symphony cycles at Styriarte in Graz in the centenary year of the composer's death, 1997.
    The launch of award-winning recordings of the Sibelius symphony cycle conducted by Paavo Berglund takes place at the Helsinki and Edinburgh International Festivals in 1998.
    In 2000 the Daily Telegraph writes that the COE provides audiences with 'a breathtaking display of European harmony'.
    The COE's 20th birthday in 2001 is marked by the release of the Brahms symphony cycle with Paavo Berglund.
    Alfred Brendel shares his 70th birthday celebrations with the COE in concerts throughout Europe.
    Nikolaus Harnoncourt's recordings with the COE of Dvorak's Slavonic Dances is shortlisted by Gramophone magazine as 'Orchestral Record of the Year 2002'.
    A Financial Times review declares 'The COE deserves to be renamed 'The Best Orchestra in Europe'.
    In 2003 the COE wins a Grammy award for its Schubert Songs CD with Claudio Abbado, Anne Sofie von Otter and Thomas Quasthoff.
    The COE becomes the first resident orchestra at the Salzburg Mozartwoche in 2004, and undertakes its 5th tour of the United States.